9 de Abril de 2008 / às 17:12 / em 10 anos

Accor procura se blindar contra crise investindo em emergentes

Por Taís Fuoco

SÃO PAULO (Reuters) - O grupo francês Accor decidiu apostar no rápido crescimento dos países emergentes para ficar menos imune a uma possível recessão no mercado norte-americano ou mesmo mundial. A companhia anunciou nesta quarta-feira no Brasil a primeira “joint venture” do grupo na América Latina para lançamento de hotéis de categoria econômica, modelo já adotado em outros emergentes como China, Índia e Marrocos.

A parceria com a construtora WTorre prevê investimento de 500 milhões de reais para construção de 20 hotéis até 2011. A empresa brasileira responderá por 80 por cento dos recursos e será dona dos ativos. Os demais 20 por cento virão da Accor, que fará a gestão dos hotéis.

“A hotelaria econômica tem mais resistência e é mais robusta para enfrentar possíveis crises”, afirmou Gilles Pélisson, presidente-executivo mundial do grupo Accor, em encontro com a imprensa brasileira.

Por isso, em todos esses países, os acordos são para implantação de hotéis das marcas Ibis e Formule1, que no grupo equivalem aos modelos econômicos e super-econômicos, respectivamente. Segundo ele, os mercados emergentes têm hoje economias muito fortes, com grande demanda interna.

“A pouca dependência do Brasil em relação aos Estados Unidos é tal que permite que o Brasil de amanhã esteja melhor preparado para uma possível recessão”, explicou o executivo.

De acordo com Pélisson, a diversificação faz parte da estratégia do grupo para também reduzir a sua dependência de um ou outro mercado. A decisão de criar parcerias nasceu da percepção da empresa francesa de que não é mais necessário ser proprietária dos hotéis que opera.

Na China, Índia, Marrocos e Argélia, o retorno sobre investimento ficou em torno de 15 por cento. “O mesmo que esperamos para o Brasil”, afirmou o executivo.

ACORDO DE LONGO PRAZO

No caso do modelo adotado no Brasil, a WTorre e a Accor criarão uma nova figura jurídica, da qual a construtora deterá 80 por cento do capital e a Accor, 20 por cento.

A parceria é de longo prazo, segundo Firmin António, diretor geral da Accor na América Latina. “Ela pode ser renovada cinco vezes a cada 15 anos, o que equivale a 75 anos”, disse.

Ele afirmou que essa “joint venture” é inédita no continente, mas antecipou que, em menos de três meses, anunciará acordo com “um grande investidor do setor de transportes do México” para a criação de uma empresa semelhante. Serão também 20 hotéis naquele país, de acordo com o diretor, mas ele preferiu não adiantar o nome do investidor.

Segundo Firmin António, os acordos mostram que a companhia tem conseguido mostrar aos investidores “que a hotelaria econômica é um sucesso”.

Ele apresentou números do Brasil que mostram que, em 2007, a taxa de ocupação média foi de 76 por cento no Ibis e de 82 por cento no Formule1, com diárias médias de 98 reais no primeiro e de 77 reais no segundo. “Taxas de ocupação dessa magnitude são as mais elevadas de todas as categorias hoteleiras”, afirmou.

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