9 de Setembro de 2008 / às 15:50 / em 9 anos

Vale admite que negocia aumento adicional com clientes asiáticos

Por Denise Luna

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A mineradora Vale admitiu nesta terça-feira que está negociando um aumento adicional de preços do minério de ferro com seus clientes na Ásia, poucos dias após afirmar desconhecer negociações sobre um aumento de 20 por cento.

“Em busca de condições mutuamente satisfatórias (a Vale) está negociando com seus clientes baseados na Ásia a convergência dos preços de referência para o minério de ferro para o mesmo nível daqueles praticados para clientes europeus”, afirmou a empresa em nota, acrescentando que o anúncio cumpria determinação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Segundo a Vale, atualmente os preços para os clientes asiáticos são inferiores aos praticados para os clientes da Europa de 11 a 11,5 por cento, dependendo do tipo de minério de ferro.

Se a negociação tiver sucesso, a Vale informou que terá um acréscimo de aproximadamente 3 por cento na receita total. No período de 12 meses encerrado em 30 de junho, a mineradora gerou receita de 35,5 bilhões de dólares.

Para o analista da corretora SLW Pedro Galdi, não há como os clientes da Vale escaparem do aumento.

“Vão ser obrigados a aceitar porque não tem minério de ferro abundante no mercado. É pegar ou pegar”, disse Galdi logo após o anúncio da Vale.

Mesmo com a perspectiva de aumentar levemente a receita, as ações da mineradora continuaram acompanhando a queda do mercado e por volta das 12h40 cediam 2,6 por cento, enquanto o Ibovespa caía 1,8 por cento. Em Nova York, os papéis da empresa brasileira perdiam 3,7 por cento.

Na avaliação de Rodrigo Ferraz, do Banco Brascan, apesar da tendência ser de um acordo com os clientes, devido à pressão da demanda, o reajuste veio menor do que o esperado, em torno dos 20 por cento.

“O mercado começou a imaginar que viria em torno dos 20 por cento, estava ainda achando que (a Vale) tentava ganhar a diferença dos australianos com chineses”, explicou Ferraz, descartando no entanto que a queda das ações nesta terça-feira se deva ao comunicado da empresa, mas sim à situação geral do mercado de commodities.

As negociações sobre o preço do minério de ferro foram atípicas este ano, com a Vale fechando aumento de 65 a 71 por cento com clientes asiáticos e de 66 e 65 por cento com os europeus, além de prêmios pela qualidade do minério.

Ao contrário da tradição do setor, o ajuste não foi seguindo pelas principais concorrentes da companhia, BHP e Rio Tinto, que conseguiram ajustes maiores, de quase 100 por cento sobre o preço de 2007.

“O mercado está realmente preocupado que a Vale, reajustando minério de ferro em mais alguns pontos percentuais agora, pode, mas eu não concordo, ser ruim porque a China poderia estar demandando menos e vai usar o mínimo de importação que faria com a Vale”, afirmou o analista.

Segundo ele, a Vale não se arriscaria a perder um ajuste maior em 2009 por causa do aumento de apenas 11 por cento este ano. Na avaliação de alguns analistas, a alta do minério no próximo ano ficará entre 25 e 35 por cento.

“Eles (a Vale) apostaram que a demanda vai continuar existindo, o que eu também concordo, e que agora é um momento apenas de incertezas sobre a demanda, que vai passar”, disse o analista.

“Se a Ásia aceitar (o ajuste) mostra que Vale, BHP e Rio Tinto têm total condição de controlar o mercado”, concluiu.

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