9 de Setembro de 2008 / às 21:27 / em 9 anos

Lehman reacende medo de quebra nos EUA e índice desaba

Por Aluísio Alves

SÃO PAULO (Reuters) - Não bastasse a persistente correção nos preços das commodities, os temores de insolvência do banco norte-americano Lehman Brothers também azedaram o ânimo dos investidores da Bolsa de Valores de São Paulo, que fechou com a terceira maior queda do ano.

O Ibovespa desabou 4,5 por cento nesta terça-feira, para 48.435 pontos, chegando ao menor nível desde 16 de agosto do ano passado. O giro financeiro foi de 5,04 bilhões de reais.

Para a bolsa paulista, prevaleceu o pior dos mundos. Por um lado, a perspectiva de desaceleração econômica internacional manteve os investidores ávidos para sair de ações ligadas a commodities e, de outro, o medo de quebra de bancos nos Estados Unidos evaporou o otimismo da véspera em Wall Street.

Traduzindo em números: o índice Dow Jones recuou 2,4 por cento, enquanto o Standard & Poor’s 500 teve queda de 3,4 por cento. Ao mesmo tempo, o preço do barril do petróleo baixou aos 102 dólares em Nova York, o menor preço em cinco meses.

“Esse quadro acentuou o processo de aversão a risco, com os investidores saindo de ações e correndo para a renda fixa”, disse Álvaro Bandeira, diretor da corretora Ágora.

Das 66 ações do Ibovespa, 58 fecharam o dia no vermelho.

Dentre as piores, apareceram as blue chips. Petrobras despencou 6,3 por cento, para 28,35 reais. Vale cedeu 4,3 por cento, a 33,34 reais. BM&F Bovespa mergulhou 9,5 por cento, para 9,20 reais.

Com uma busca tão frenética por liquidez imediata, os investidores fecharam os olhos a notícias potencialmente positivas para empresas da Bovespa. A Vale confirmou que está negociando um aumento dos preços de seu minério para clientes na Ásia e a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) teve melhora do rating pela agência Moody’s na véspera.

DISTÂNCIA DOS FUNDAMENTOS

Segundo Régis Abreu, diretor de gestão da Mercatto, o movimento de aversão ao risco está deixando o valor de mercado das empresas nacionais cada vez mais distante dos fundamentos.

“Olhando friamente os números (das empresas), o cenário é extremamente positivo. Mas, por enquanto, as condições de mercado indicam que a volatilidade pode se estender um pouco mais”, disse.

Como os fundamentos fortes têm funcionado cada vez menos para sustentar os preços dos papéis, os profissionais de mercado estão se agarrando mais a indicadores grafistas. E as notícias não são boas.

“Os índices apontam que, no curto prazo, o Ibovespa pode cair até os 45 mil pontos”, acrescentou Bandeira.

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