9 de Setembro de 2008 / às 23:49 / em 9 anos

Ajuda a Fannie Mae e Freddie Mac frusta eleitores dos EUA

Por James B. Kelleher

CHICAGO (Reuters) - A ajuda do governo Bush para as gigantes do setor hipotecário Fannie Mae e Freddie Mac frustrou diversos eleitores que temem que isto se torne um precedente ruim e que executivos bem pagos saiam ilesos.

“Isso reforça a minha teoria de que se o mundo fosse liderado por garçonetes aposentadas, nós todos estaríamos em uma situação melhor”, afirmou Mellisa Reddington, 46, organizadora de eventos na Filadélfia.

Nas eleições presidenciais e parlamentares norte-americanas em 4 de novembro, Reddington reflete a opinião de muitos outros em todo o país que afirma que a ajuda veio “pois banqueiros preocupados ligaram para banqueiros preocupados” e não porque Washington finalmente sentiu as dores de endividados comuns.

“Eu não gosto do fato de que nós deixamos chegar a um ponto em que tivemos que fazer isso”, disse William Hawk, vendedor de produtos médicos aposentados de 69 anos na Carolina do Sul. “Nós deveríamos ter feito isto há muito tempo”.

Eleitores prevêem que executivos não serão afetados enquanto contribuintes pagarão 200 bilhões de dólares para salvar duas companhias privadas que fornecem fundos para três quartos das novas moradias nos Estados Unidos.

“Eles causaram todo este estrago e agora eles não querem pagar por isso”, Kappa Horn, dono de restaurante em Nova Orleans, disse sobre os diretores das empresas.

AS FABRICANTES DE AUTOS

Alguns temem que a ajuda se torne um precedente que pode ser explorado por outras empresas como as três grandes fabricantes de automóveis de Detroit, que querem 50 bilhões de dólares em empréstimos de baixo custo do governo para desenvolver carros de baixo consumo.

“Aqui o nosso governo está começando a ajudar empresas privadas”, disse Sharon Ward-Fore, agente do Estado em Illinois.

“Onde isto irá parar? Onde a linha final será marcada? Eles precisam ajudar as pequenas pessoas como eu que não ganham dinheiro nenhum há dois anos”, disse.

O presidente George W. Bush afirmou que a ação foi necessária pois os problemas da Fannie Mae e Freddie Mac, que detêm dívidas de 1,6 trilhão de dólares, colocavam “um risco inaceitável para o sistema financeiro mais amplo e nossa economia”. O secretário do Tesouro, Henry Paulson, afirmou que não pode estimar o tamanho da carga da ajuda do governo às duas companhias sobre os contribuintes.

Craig High, 47, que trabalha com estudantes universitários deficientes em Austin, Texas, afirmou que “infelizmente, eu vejo a ajuda para Fannie Mae e Freddie Mac como apenas mais uma peça de dominó caindo em uma tendência de baixas financeiras em que os Estados Unidos parecem estar”.

Natham Pierce, 31, mensageiro de moto descansando perto da Biblioteca Pública de Los Angeles, acusou a administração de Bush de falta de supervisão.

Mas Pierce, que acaba de comprar uma casa, afirmou que espera que a ação faça pelo menos o que o seus arquitetos prometeram: arrume o mercado imobiliário e levante a economia em geral.

Reportagem adicional de Lisa Baertlein, Tim Gaynor, Andrea Hopkins e Julie Steenhuysen

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