9 de Julho de 2008 / às 17:39 / em 9 anos

Nordeste passa Sul no consumo de energia residencial

Por Denise Luna

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O consumo de energia nas residências do Nordeste ultrapassou este ano pela primeira vez na história o consumo na região Sul do país, e a tendência é de que esse comportamento seja mantido, avaliou o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) nesta quarta-feira.

De acordo com Maurício Tolmasquim, o desempenho inédito da região --que tem o dobro da população do Sul mas em termos econômicos só é superior à região Norte-- foi possível graças aos programas sociais do governo como Bolsa Família e Luz Para Todos, aliados ao aumento do salário mínimo e do crédito.

“Isso mostra uma redução expressiva da desigualdade no país, e estamos vendo que é estrutural, porque já vem crescendo desde o final do ano passado e agora se consolidou”, observou Tolmasquim, ressaltando que esse incremento não ameaça o abastecimento de energia nos próximos anos.

“Podem crescer que temos bastante energia”, garantiu.

Nos últimos 12 meses terminados em maio, o consumo residencial no Nordeste atingiu 15,4 mil gigawatts hora, enquanto a região Sul ficou em 15 mil GWh.

Um dos fatores para o aumento do consumo no Nordeste foi a evolução da taxa de atendimento, ou seja, o número de residências ligadas ao sistema.

De 2003 a 2007, a taxa de atendimento no Brasil passou de 92 por cento para 96 por cento, enquanto no Nordeste a taxa cresceu de 86 para 95 por cento, bem próxima à média brasileira.

PROGRAMAS SOCIAIS

Tolmasquim destacou que o aumento do consumo também influenciou o melhor posicionamento da região, respaldado na Bolsa Família, no crédito e no aumento do salário mínimo.

“A renda do trabalhador cresceu 23 por cento no Nordeste em 2006, enquanto no Sul cresceu 13,4 por cento”, comparou.

De acordo com Tolmasquim, 14 por cento da renda do Nordeste tem origem no programa social Bolsa Família, que distribui recursos para famílias carentes. No Sul este percentual cai para 8 por cento e no Sudeste para 5 por cento, informou.

Como consequência do aumento de renda e da facilidade de acesso ao crédito, a venda de geladeiras na região cresceu 6,7 por cento de 2002 a 2006 e de televisões, 6,8 por cento por cento, contra média no Brasil de 2,5 por cento e 3 por cento, respectivamente.

O aumento de residências ligadas ao sistema nacional também ajudou o consumo de energia no Nordeste, com crescimento de 5,2 por cento, contra média no Brasil de 3,7 por cento.

O projeto Luz pata Todos foi o principal motivo para as novas ligações. O programa, que visa levar energia para toda população até 2010, acrescentou de 2004 a 2008 12 milhões de novos usuários, sendo 10 milhões em áreas rurais. Atualmente, 96,1 por cento das residências brasileiras possuem energia elétrica, informou Tolmasquim.

Segundo o executivo, a previsão é de que mais 3 milhões de pessoas sejam inseridas até 2010, mas dificilmente será possível abranger 100 por cento do país. “A população vai crescendo, o consumo aumenta, é muito difícil prever quando todos estarão inseridos”, explicou.

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