9 de Abril de 2008 / às 15:21 / 9 anos atrás

CONSOLIDA2-Alimento surpreende, IPCA reforça visão de juro maior

(Texto reescrito com dados adicionais e comentários do IBGE e da FGV)

Por Vanessa Stelzer e Rodrigo Viga Gaier

RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO, 9 de abril (Reuters) - A alta das commodities no mercado internacional e o aumento da demanda interna estão impedindo uma desaceleração do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador usado como referência para as metas de inflação do governo, afirmou o IBGE nesta quarta-feira.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados pela manhã mostraram que a inflação em março superou o teto das previsões do mercado, transformando praticamente em consenso a possibilidade de uma alta de juros pelo Banco Central já na semana que vem.

O IPCA subiu 0,48 por cento no mês passado, maior elevação para março desde 2005. O dado ficou próximo à leitura de 0,49 por cento de fevereiro, mas superou o teto das previsões de 33 analistas ouvidos pelas Reuters, de 0,46 por cento.

"Reforça, com certeza, a previsão de alta de juros na semana que vem e inclusive aumenta as apostas (nos mercados futuros) de um movimento mais agressivo em abril", disse Silvio Campos Neto, economista-chefe do Banco Schahin, que prevê um aumento de 0,25 ponto percentual na Selic na próxima reunião do Copom.

"O dado do IPCA mostra que o BC estava do lado mais correto das previsões quando fez uma avaliação mais pessimista da inflação, que realmente foi forte em março."

O economista-chefe da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Salomão Quadros, considera o aumento na Selic inevitável, mas acha que o Banco Central terá que ser muito preciso na ata para não criar pânico no mercado.

"Não podemos deixar de olhar para a expansão dos investimentos que é importante para tirar a economia da armadilha do limite da capacidade", disse Quadros a jornalistas.

"É importante que a alta seja extremamente justificada. Desestimular os investimentos seria um retrocesso."

A FGV divulgou pela manhã o IGP-M da primeira leitura de abril, que também superou as previsões e ajudou a reforçar a expectativa de juro maior.

FOCOS DE PRESSÃO

A economista do IBGE Eulina Nunes dos Santos disse que a pressão dos alimentos ficou bem clara no dado do IPCA de março, que também foi impactado por outros itens não-alimentícios, como tarifas e preços administrados.

"Embora a safra brasileira seja grande este ano, ela é muito concentrada em função do aumento do consumo mundial puxado por China e Índia. Além disso, o crescimento da demanda doméstica está muito forte. A inflação de março veio mais espalhada", disse ela.

Em março, os alimentos representaram 40 por cento da alta do IPCA. As maiores pressões vieram do óleo de soja, pão francês, biscoito e farinha de trigo --cujos insumos sofreram fortes altas no mercado externo--, além de alguns produtos in natura, como o tomate.

No ano, os alimentos subiram 3,04 por cento, representando 43 por cento da inflação no período. "As indicações são de preços maiores dos alimentos no cenário internacional. É uma inflação globalizada", destacou Eulina.

Jankiel Santos, economista-chefe do Bes Investimento, é um pouco mais otimista em relação a essa pressão.

"Você tem alta concentrada em poucos itens de alimentação, o que é favorável. Logo você terá a regularização da oferta do tomate, por exemplo, então a tendência (da inflação) é cair."

Em abril, segundo Eulina, as pressões para a inflação virão de medicamentos, aço, energia elétrica e metrô no Rio de Janeiro, além de taxa de água e esgoto.

Edição de Isabel Versiani

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