9 de Janeiro de 2008 / às 18:02 / em 10 anos

Capacidade da Log-In vai crescer 75% este ano com mais 2 navios

Por Denise Luna

RIO DE JANEIRO, 9 de janeiro (Reuters) - A Log-In Logística Intermodal LOGN3.SA vai expandir sua capacidade de transporte naval em 75 por cento este ano, com a chegada de dois navios de 1.700 TEUs (unidade equivalente a um contêiner de 20 pés) cada.

O primeiro a chegar no Brasil, o Log-In Amazônia, vindo da Libéria, começa a operar na próxima semana em uma nova escala para a companhia, que levará produtos desde o porto de Santos, em São Paulo, até Fortaleza, no Ceará.

A rota geral da Log-In vai desde Buenos Aires até Fortaleza, levando principalmente arroz, eletrodomésticos e petroquímicos. Mas, por falta de capacidade em seus navios, eles não tinham condições de realizar novos carregamentos em Santos quando iam no sentido Nordeste e só o faziam na volta.

“Os navios que vinham do Sul já chegavam em Santos cheios, não tínhamos como levar mais (produtos). Agora, o primeiro impacto é a volta da escala em Santos no sentido Nordeste”, afirmou a jornalistas o presidente da Log-In, Mauro Dias, durante apresentação do Amazônia.

Mais um navio, o Log-In Pantanal, está previsto para começar a operar em abril, informou Dias. A empresa pagou 182 milhões de reais pelas duas embarcações, recursos provenientes de caixa obtido com o lançamento de ações no Novo Mercado, no ano passado, quando arrecadou 450 milhões de reais.

A empresa pretende afretar ainda mais navios nos próximos anos enquanto aguarda a construção de cinco embarcações pelo estaleiro Eisa, de 2.700 TEUs cada, com previsão de receber o primeiro em 2010. O ritmo do afretamento e o tamanho dos navios vão depender da demanda, segundo Dias, que não antecipou quando irá ao mercado procurar embarcações.

O financiamento da ecomenda ao Eisa, de cerca de 300 milhões de dólares, virá do Fundo da Marinha Mercante com intermediação do BNDES ou do Banco do Brasil (BBAS3.SA).

“Nos próximos dois meses vamos definir qual dos dois bancos será o agente”, informou. O financiamento poderá chegar a 90 por cento do valor total e o aço para a construção --cerca de 9 mil toneladas-- já foi adquirido da Usiminas USIM5.SA.

Ele explicou que apesar do mercado aquecido no setor naval, a companhia não encontrou dificuldades na compra dos novos navios e nem nos insumos para a construção dos demais pelo estaleiro brasileiro. A previsão é de que as cinco unidades sejam entregues até 2013, quando a Log-In tem também a opção de comprar os atuais cinco navios afretados que opera.

“Se der retorno na época a gente pode comprar”, disse o executivo, sem querer antecipar a decisão.

Ele se disse otimista com a economia brasileira, apesar de possíveis retrações na economia global, e avaliou que a Log-In vai se beneficiar não apenas do crescimento do Produto Interno Bruto brasileiro, mas também da substituição do modal de transporte de mercadorias no país.

“Estamos otimistas com o crescimento interno do mercado brasileiro, mas se houver um esfriamento a gente vai crescer pela substituição do transporte rodoviário, está na hora de mudar isso”, avaliou.

Ele lembrou que a energia está cada vez mais cara e as empresas buscam maior eficiência, o que levará maior fluxo ao transporte de cabotagem. Distâncias acima de 1.500 quilômetros, por exemplo, são mais econômicas se feitas por navios, explicou.

Dias ressaltou ainda que as embarcações emitem 75 por cento menos de gases do efeito estufa na atmosfera do que os caminhões.

Para Dias, o grande mercado a ser conquistado pela companhia é o que leva produtos de caminhão para o Nordeste, desde alimentos, principalmente arroz, até bebidas, produtos petroquímicos e eletrodomésticos.

Edição de Camila Moreira

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