10 de Dezembro de 2007 / às 23:31 / 10 anos atrás

Justiça suspende julgamento de Fujimori até quarta

LIMA (Reuters) - A Justiça peruana suspendeu até quarta-feira o julgamento do ex-presidente Alberto Fujimori por casos de abusos aos direitos humanos, após ele apresentar uma “crise hipertensiva”.

Os juízes da Corte Suprema tinham previsto continuar na tarde de segunda-feira o julgamento contra Fujimori mas, depois de receberem um relatório médico, disseram que adiariam até quarta.

Aos gritos, Fujimori clamou sua inocência no processo que pode lhe render até 30 anos de prisão.

“No meu governo se respeitam os direitos humanos de 25 milhões de peruanos, sem exceção alguma. Se foram cometidos alguns fatos execráveis os condeno, mas não foram ordens de quem fala”, disse Fujimori.

“Eu por isso rejeito as acusações, totalmente, sou inocente e não aceito essa acusação”, acrescentou o ex-presidente, que governou o Peru de 1990 a 2000.

O julgamento de Fujimori, cujo início coincide com o Dia Internacional dos Direitos Humanos, está sendo realizado dentro do quartel policial em que Fujimori está detido sob forte segurança desde que foi extraditado do Chile, no dia 22 de setembro.

É a primeira vez na história do país que um ex-presidente é submetido a um julgamento público, transmitido ao vivo pelo rádio e pela TV --e um dos raros julgamentos de ex-presidentes na América Latina.

Fujimori, 69, que passou sete anos foragido --cinco no Japão e dois no Chile--, está sendo julgado por três casos que envolvem a morte de 25 pessoas e o sequestro de opositores.

O primeiro caso a ser julgado é o de Barrios Altos, pela execução de 15 pessoas em 1991, entre elas uma criança, por um comando militar que enfrentava os guerrilheiros do Sendero Luminoso, um dos grupos rebeldes mais violentos da América Latina.

Fujimori é acusado de homicídio e lesões corporais graves. A promotoria afirma que ele foi o “autor intermediário” das chacinas, mas seu advogado, César Nakasaki, afirma que provará sua inocência. Os julgamentos devem durar no mínimo um ano.

Nakasaki defende que Fujimori foi apenas “instigador” do crime, já que não existe dever de obediência quando uma ordem é “manifestamente ilegal”.

O julgamento de Fujimori foi acompanhado por três filhos dele, entre eles a parlamentar Keiko Fujimori. Eles ficaram atrás de um vidro. Também estavam presentes parentes das vítimas. Pelo menos 300 jornalistas cobriam o julgamento.

Fujimori também é acusado pelo sequestro em 1992 de um jornalista e de um empresário, que foram levados aos porões do Serviço de Inteligência do Exército.

Em 2000 estourou o maior escândalo de corrupção da história do Peru e Fujimori fugiu para o Japão. Para analistas, ele foi para o Chile com a esperança de voltar ao Peru sob acusações mais leves, mas a Corte Suprema do Chile aprovou sua extradição pelos casos de violação dos direitos humanos.

Reportagem de María Luisa Palomino e Marco Aquino

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