10 de Julho de 2008 / às 20:48 / em 9 anos

Dantas volta a ser preso pela PF acusado de corrupção

Por Eduardo Simões

SÃO PAULO (Reuters) - A análise de documentos apreendidos pela Polícia Federal e o depoimento de uma testemunha levaram novamente à prisão o banqueiro Daniel Dantas, acusado de tentativa de suborno, cerca de dez horas depois de ter sido solto, beneficiado por um habeas corpus concedido pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo a Polícia Federal, os indícios colhidos há dois dias, data em que foi deflagrada a operação Satiagraha, que resultou na primeira prisão de Dantas, “fortaleceram a ligação entre o preso e a prática do crime de corrupção (suborno) contra um policial federal que participava das investigações”.

O juiz da 6a Vara Federal Criminal de São Paulo, Fausto de Sanctis, segundo a assessoria de imprensa da PF, decretou a prisão preventiva do banqueiro. Anteriormente, o mesmo magistrado havia decidido pela prisão temporária de Dantas.

Ainda de acordo com a assessoria da PF, a prisão temporária tem prazo de cinco dias e pode ser renovada por igual período. Já a preventiva não tem prazo legal para acabar, embora a jurisprudência brasileira aponte para o período máximo de 82 dias, que é a soma dos prazos estabelecidos para as etapas do processo.

Dantas havia sido libertado na manhã desta quinta-feira junto a outros oito suspeitos, graças a habeas corpus concedido pelo presidente do STF, Gilmar Mendes. No fim da tarde de quinta-feira, a medida que beneficiou o grupo ligado a Dantas foi estendida ao investidor Naji Nahas, ao ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta e a mais nove acusados de cometer crimes financeiros. Todos eles foram presos na mesma operação da PF.

A Polícia Federal e o Ministério Público Federal (MPF) acusam Dantas de oferecer, por meio de dois intermediários, 1 milhão de dólares a um delegado da PF para fazer com que os nomes dele, da irmã Verônica e do sócio Carlos Rodemburg fossem excluídos das investigações da operação Satiagraha. Dantas também queria que a PF abrisse inquérito contra um antigo adversário.

Em entrevista coletiva antes da divulgação da segunda prisão de Dantas, o advogado Nelio Machado, que representa o banqueiro, rebateu as acusações de suborno.

“Não tenho notícia de nenhum procedimento do senhor Dantas que não fosse por meio de seus advogados”, disse. “Repilo qualquer acusação relacionada a suposto suborno”, completou.

Indagado sobre a existência de imagens que comprovariam a tentativa de corromper o delegado, Machado disse: “Eu não sei explicar porque não sei o contexto dessas imagens.”

Durante a operação, foram cumpridos 17 dos 24 mandados de prisão expedidos pela Justiça e realizados 56 mandados de busca e apreensão. A operação é resultado de investigações iniciadas há quatro anos, na qual a PF detectou a existência de duas supostas quadrilhas --uma delas seria encabeçada por Dantas e outra, por Nahas.

Os envolvidos são acusados de crimes como formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta, evasão de divisas e uso de informações privilegiadas em operações financeiras.

MENSALÃO

Segundo o MPF, Dantas cometeu crime de evasão de divisas por meio do Opportunity Fund nas Ilhas Caimã, entre 1994 e 2002.

O volume movimentado pode superar os 2 bilhões de dólares, que seriam, em parte, lavados com outras operações, como a compra de gado, segundo a polícia.

Figura polêmica do processo de privatização das empresas de telefonia do país, Dantas vendeu no fim de abril por cerca de 1,4 bilhão de reais as suas participações na Brasil Telecom e na Oi, que visam se unir para formar a maior companhia de telecomunicações do Brasil.

O dono do Opportunity é suspeito de ter contribuído para o escândalo do mensalão, uma vez que empresas das quais foi acionista --a Telemig e a Amazônia Celular-- fizeram depósitos em contas do empresário Marcos Valério, acusado de ter sido intermediário do esquema em que parlamentares teriam recebido dinheiro para dar apoio político ao governo no Congresso.

O Opportunity informou nesta quinta-feira que seus fundos de investimento “continuam operando normalmente”.

Segundo a instituição, até 9 de julho, o saldo das movimentações realizadas por clientes em todos os fundos administrados pelo Banco Opportunity foi de 6,2 por cento do patrimônio total administrado, tomando-se como base o patrimônio líquido de aproximadamente 17 bilhões de reais, de acordo com dados da Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid).

Reportagem adicional de Renato Andrade, Aluísio Alves e Maurício Savarese

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