10 de Outubro de 2008 / às 11:41 / em 9 anos

RPT-Fundos de private equity apostam na agricultura no Brasil

(Repete matéria publicada na noite de quinta-feira)

Por Reese Ewing

SÃO PAULO, 10 de outubro (Reuters) - Os fundos de private equity ainda mantêm seu otimismo com o setor agrícola brasileiro, apesar da crise global no crédito, disseram executivos na quinta-feira.

“Nos mercados emergentes onde as pessoas começaram a comer carne, como a China, essa tendência é muito estável”, disse o presidente do frigorífico Mercosul, Augusto Marques da Cruz Filho, num evento de investidores do setor agropecuário.

O Brasil é o maior exportador mundial de carne bovina.

“Se as pessoas começarem a cortar (gastos) por causa da retração econômica, será o carro novo, a TV ou a geladeira, não a porção semanal de carne”, argumentou o executivo.

Parte do frigorífico Mercosul foi vendida ao FIP AIG, subsidiária brasileira da firma de private equity AIG Capital.

Sob a nova administração, a empresa, que até 2007 dava prejuízo, já apresenta três trimestres consecutivos de lucro.

“A recente correção no mercado de commodities e a situação política na Argentina estão melhorando as oportunidades de aquisição”, disse Harald Brunckhorst, diretor de operações do Calyx Agro, um fundo de private equity do grupo Louis Dreyfus, que opera no mercado agropecuário do Cone Sul.

Na opinião dele, os setores brasileiros de cana, soja e carne estão muito alavancados e por isso devem sofrer mais pressão para se consolidar no próximo ano, devido ao aperto do crédito no mundo.

O Calyx administra ou controla quase 60 mil hectares de terras no Brasil, onde se produz soja, milho e algodão.

Inicialmente, o fundo levantou 177,5 milhões de dólares, dos quais investiu 120,7 milhões.

Brunckhorst disse que a firma pretende voltar a levantar capital no futuro próximo, assim que as condições do mercado estejam mais favoráveis.

“A terra é um patrimônio muito atraente, ao qual poucos investidores institucionais têm acesso”, disse ele, acrescentando que o fundo pode abrir seu capital nos próximos anos.

O que preocupa alguns analistas é o ressurgimento do nacionalismo, pois o governo brasileiro estuda uma lei que restringiria a aquisição de terras produtivas por fundos estrangeiros.

Brunckhorst minimizou tal ameaça. “Administramos mais de 12 empresas no Brasil. Investimos pesadamente para melhorar o valor e a produção em milhares de hectares. Não tenho dúvida de que essa lei não será um problema para nós.”

Segundo ele, os principais alvos da eventual lei seriam empresas ou investidores que só buscam a especulação fundiária. “Especuladores nas terras podem ter problemas com tal lei, especialmente devido ao clima atual, como resultado do mercado imobiliário dos EUA”, disse Brunckhorst.

Reportagem de Reese Ewing

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