10 de Setembro de 2008 / às 18:05 / 9 anos atrás

UE reduz previsões de crescimento, destaca ameaça inflacionária

Por Jan Strupczewski

BRUXELAS (Reuters) - O crescimento econômico da Europa, afetado pela alta no preço das commodities, pelas turbulências do mercado financeiro e pelo fim de um boom no mercado imobiliário, sofreu uma redução brusca e continuará nesse ritmo, afirmou a Comissão Européia nesta quarta-feira.

A comissão cortou suas estimativas de crescimento, afirmando que os crescentes preços de alimentos e combustíveis, aliados ao aperto global de crédito, reduziram a confiança e que a piora dos mercados de moradias e de construção “pode cada vez mais cobrar seu preço”.

O crescimento econômico na zona do euro irá cair à metade frente ao ano passado e a taxa de inflação será muito maior do que a prevista anteriormente, mesmo se houver sinais de que ela mostrará alívio, afirmou a Comissão, braço executivo da União Européia.

A estimativa para crescimento do PIB na zona do euro caiu de 1,7 por cento em abril para 1,3 por cento. Em 2007, o PIB da região cresceu 2,6 por cento.

A Comissão traçou um panorama similar para os 27 países na União Européia, que incluem os 15 países que adotam o euro. Suas previsões mostraram recessão técnica --dois trimestres consecutivos de retração no PIB-- na Alemanha, maior economia da região, na Inglaterra e na Espanha.

“Neste momento a inflação é a pior ameaça à manutenção da demanda, demanda doméstica, nos países da Europa”, afirmou Joaquim Almunia, Comissário de Economia Européia e Relações Monetárias.

ALEMANHA EM RECESSÃO TÉCNICA

A comissão elevou suas perspectiva de inflação para a zona do euro este ano de 3,1 para 3,6 por cento. Esse número é quase o dobro da meta do Banco Central Europeu de manter a inflação abaixo, mas perto, de 2 por cento.

As previsões de crescimento da comissão para 2008 estão no piso das estimativas do Banco Central Europeu enquanto a inflação está no teto das projeções da instituição.

Os números da comissão mostraram a economia alemã encolhendo 0,2 por cento entre julho e setembro depois de se reduzir 0,5 por cento no trimestre anterior.

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