11 de Fevereiro de 2008 / às 23:15 / em 10 anos

Serra suspende saque com cartão e cria grupo para estudar gastos

SÃO PAULO (Reuters) - O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), suspendeu por tempo indeterminado os saques em dinheiro com cartões de débito utilizados pelos servidores paulistas e criou uma comissão para fazer um exame da utilização deste meio de pagamento.

Serra acusou o PT, autor das denúncias, de fazer “cortina de fumaça” para tentar ocultar possíveis irregularidades com os cartões usados pelo governo Lula. O partido também defende uma CPI na Assembléia Legislativa para investigar os gastos. “No momento em que aparecem lambanças inquestionáveis (no governo federal), o PT, no seu estilo tradicional, tenta levantar uma cortina de fumaça, porque esses dados estão disponíveis desde o final de 2000 pelo (ex-governador) Mario Covas”, disse Serra a jornalistas, em sua primeira manifestação pública sobre as denúncias divulgadas na quinta-feira.

O governador afirmou que gastos defensáveis em sua opinião, como os 13 mil reais em uma churrascaria de Campos do Jordão (SP) pela Secretaria da Segurança, foram apresentados pelo PT como escandalosos. Serra disse que o valor pagou almoço de tropa da Polícia Militar deslocada de Taubaté para Campos durante a temporada de turistas.

“Não há conta secreta em São Paulo”, afirmou Serra, ao declarar que os dados dos cartões passarão a ser disponíveis na Internet e não apenas aos deputados da Assembléia e ao Tribunal de Contas do Estado, como atualmente.

Pelos dados do governador, SP negocia com mais de 55 mil estabelecimentos que correspondem a 500 mil transações.

A comissão que analisará os gastos será presidida pelo secretário de Justiça, Luiz Antonio Marrey, e será integrada pelos secretários da Fazenda, do Planejamento, de Gestão e da Casa Civil.

“É possível que tenha irregularidades, mas até agora não se constatou nenhuma. Se encontrarmos, vamos punir”, disse o governador.

Apesar de ter suspendido os saques, Serra disse que o que aparece com esta rubrica nas contas do cartão do Estado é na verdade um “débito bancário” sem retirada de dinheiro vivo.

Em 2007, primeiro ano do governo Serra, os gastos com cartão de débito chegaram a 108,3 milhões de reais. Deste total, 48,3 milhões de reais são registrados como saques, o que representa 44 por cento. Há 42 mil cartões em posse de cerca de 20 mil servidores públicos paulistas.

Reportagem de Carmen Munari; Edição de Mair Pena Neto

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