11 de Julho de 2008 / às 17:38 / 9 anos atrás

PF faz busca na casa de Eike; MMX nega supostas irregularidades

Por Eduardo Simões

SÃO PAULO (Reuters) - A Polícia Federal cumpriu nesta sexta-feira mandados de busca e apreensão na casa e em alguns escritórios do empresário Eike Batista, como parte de uma operação que visa averiguar a existência de suposta fraude na concessão de uma estrada de ferro no Amapá, informou a assessoria de imprensa da PF.

Além da busca e apreensão na casa de Eike, dono da EBX que controla a MMX, do setor de mineração, e a OGX, da área de petróleo e gás, entre outras, a Polícia Federal realizou outros 11 mandados de busca e apreensão na operação intitulada Toque de Midas.

“Foram encontrados indícios de direcionamento da licitação para que as empresas de um mesmo grupo vencessem o certame”, informou a PF em comunicado em seu site.

Não foi pedida nenhuma prisão nessa investigação.

A empresa investigada se manifestou em um comunicado nesta tarde, negando qualquer irregularidade no processo de concessão da ferrovia.

Eike, de 51 anos, é um dos executivos do ramo de mineração mais ricos do mundo e recentemente ingressou no ramo de petróleo com a OGX, empresa que protagonizou a maior abertura de capital da história do país.

No início do ano, Eike vendeu parte da MMX para a Anglo América. A operação resultou na criação de uma nova companhia, a Newco, que ficou com duas das quatro minas de minério de ferro da MMX, o sistema Amapá e o sistema Minas-Rio.

Segundo a polícia, tal direcionamento na licitação teria se dado com o ajuste prévio de cláusulas favoráveis às empresas do grupo, principalmente as referentes à habilitação dos participantes no procedimento licitatório. Isso, de acordo com a PF, afastou outros interessados na concessão da estrada de ferro.

“A referida concessão foi obtida por uma segunda empresa perante o governo do Estado do Amapá. A companhia vencedora repassou a concessão para a primeira empresa, ambas do mesmo grupo econômico”, informou a polícia.

NEGATIVA

A MMX Amapá “nega que tenha cometido qualquer tipo de irregularidade ou ilícito nas ações ligadas à licitação, que resultou na outorga da concessão da Estrada de Ferro do Amapá em favor desta empresa”, segundo uma nota divulgada pela companhia ao mercado.

A empresa, cujos escritórios no Amapá e também no Rio de Janeiro foram alvos da operação, informou ainda que, “diante de rumores no Estado sobre existência de eventual investigação policial a respeito de suas atividades, colocou-se à disposição das autoridades locais para cooperar de todas as formas possíveis com o processo investigatório”.

A companhia afirmou ainda que, ciente da decisão da Justiça Federal de Macapá, ajuizou no Tribunal Regional Federal da 1a Região, em Brasília, medida cabível para garantir amplo acesso a qualquer investigação contra a empresa.

Segundo a MMX, o pedido feito ao TRF foi deferido, e a empresa ainda aguarda o cumprimento pela Justiça Federal.

A ferrovia que teria sido alvo da fraude liga as cidades de Serra do Navio e Santana e é responsável pelo transporte de minério do interior do Amapá para o Porto de Santana, às margens do Rio Amazonas.

Os mandados de busca foram realizados em Macapá, Rio de Janeiro e Belém.

Além disso, segundo a PF, a investigação tem por objeto o possível desvio de ouro lavrado nas minas do interior do Amapá, “havendo fortes suspeitas de que o minério não esteja sendo totalmente declarado perante os órgãos arrecadadores de tributos, principalmente a Receita Federal”, disse a polícia em nota.

Com relação a esta investigação, a MMX ressaltou que “não realiza quaisquer atividades de mineração de ouro no Amapá ou em qualquer outra região do país”.

Às 16h43 os papéis da MMX caíam menos do que anteriormente na Bovespa --9,39 por cento--, enquanto as ações da OGX reduziam perdas para 11 por cento --esses papéis chegaram a cair mais de 20 por cento. Referência da Bolsa de Valores de São Paulo, o Ibovespa perdia 0,05 por cento.

TERCEIRO MAIS RICO

Além de reservas de minério de ferro, Eike é dono de um projeto de exploração de bauxita, portos, usinas de energia e uma empresa de água.

Todas as empresas de Eike contam com um X em seus nomes, algo que ele afirma simbolizar a multiplicação de sua fortuna.

A revista Forbes calculou neste ano a fortuna de Eike em 6,6 bilhões de dólares, o que faz dele o terceiro homem mais rico do Brasil --depois de Antônio Ermírio de Moraes, da Votorantim, e do banqueiro Joseph Safra-- e o 142o do mundo.

Ex-marido da “sex symbol” Luma de Oliveira, o empresário de ascendência alemã tem dois filhos, Olin e Thor, com 12 e 16 anos de idade, do casamento com ela. Os dois divorciaram-se em 2004.

O pai de Eike, Eliezer Batista, destacado executivo do setor de mineração nos anos 1980, foi presidente da Vale, ainda estatal, por duas vezes.

Reportagem adicional de Carmen Munari e Roberto Samora

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