11 de Julho de 2008 / às 17:23 / em 9 anos

Novo jato CSeries da Bombardier leva suspense a Farnborough

Por Leah Schnurr

TORONTO (Reuters) - Eles vão ou não vão? Essa é a grande questão ao redor da Bombardier antes da abertura na próxima semana da feira internacional de aviação de Farnborough, na Inglaterra. Investidores aguardam um anúncio da decisão da fabricante canadense sobre o lançamento do jato CSeries.

O jato dará à empresa uma vantagem sobre seus competidores em um momento em que companhias aéreas ao redor do mundo estão enfrentando preços recordes de combustíveis. A Bombardier afirma que o avião tem um consumo de combustível 20 por cento menor que jatos comparáveis atualmente no mercado, bem como um custo operacional 15 por cento menor.

O projeto do jato de longo alcance é direcionado ao mercado de aeronaves de 100 a 149 passageiros, e pode impulsionar a Bombardier em mercados hoje dominados pelas rivais de maior porte: Boeing e Airbus .

Tanto Boeing quanto Airbus ainda não manifestaram interesse em desenvolver um avião que competiria com o CSeries.

"Eles também são ajudados, de acordo com o que vem sendo escrito até agora, pelo fato de que é altamente improvável que a Boeing ou a Airbus oferecerão uma aeronave menor e mais eficiente no consumo até 2018 ou 2020", disse Richard Stoneman, analista da Dundee Capital Markets em Toronto. "Isso deixa uma janela aberta para a Bombardier."

Mas antes de seguir em frente na produção do novo modelo, a Bombardier tem dito que precisa ter pedidos firmes entre 50 a 100 unidades da aeronave.

Condições fracas dos mercados de crédito, combinadas com preços em disparada dos combustíveis podem tornar difícil para a Bombardier obter pedidos firmes suficientes.

Lufthansa, Qatar Airways e International Lease Finance Corp já manifestaram interesse no aparelho, informou a Bombardier.

A companhia canadense também estava negociando com a Northwest Airlines até a fusão dela com a Delta Air Lines.

NOVO NICHO

O CSeries marcará uma saída da Bombardier de suas atuais linhas de jatos regionais e turboélice, que são capazes de transportar até 100 e 80 passageiros, respectivamente.

As principais aeronaves que competiriam contra o CSeries seriam o 737-600 e 737-700, da Boeing, e o A318 e o A319 da Airbus. O analista Jacques Kavafian, analista da Research Capital em Toronto, escreveu em nota que as economias de combustível comparadas com o Boeing 373-700 são estimadas em 2,7 milhões de dólares por ano, assumindo 4 mil horas de vôo.

O CSeries também competiria com o ERJ190 da brasileira Embraer, principal rival da Bombardier. Stoneman disse que a tecnologia por trás do CSeries é mais nova que a do E-jet, dando ao aparelho uma vantagem.

A Bombardier, que também é a maior fabricante de trens do mundo, tem até 31 de janeiro para decidir se seguirá com o lançamento do jato, um prazo que colocaria o avião em serviço em 2013.

Analistas continuam incertos se a Bombardier anunciará o CSeries na feira de Farnborough, a mais prestigiada da indústria de aviação. Os especialistas dão uma chance de 50 por cento de um anúncio ser feito.

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