11 de Setembro de 2008 / às 15:00 / 9 anos atrás

Lobão estuda medidas para evitar falta de gás no Brasil

Por Denise Luna

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, está reunido com técnicos do ministério e com a Petrobras para tomar medidas adicionais ao plano de contigência da estatal e enfrentar o corte de fornecimento de gás natural da Bolívia.

Segundo a assessoria do ministro, às 16h Lobão dará uma entrevista coletiva para detalhar a operação que tentará evitar problemas de abastecimento no país.

Um novo incidente em um gasoduto boliviano provocou na quinta-feira a redução para pelo menos metade do volume normal no envio de gás natural ao Brasil, informou o consórcio operador do sistema de transporte do gás.[ID:nN11424253]

O plano de contigenciamento da estatal, montado desde 2004, prevê a suspensão do uso de gás nas refinarias da empresa e na produção de petróleo, além da substituição de gás por óleo nas usinas térmelétricas.

"Diante do agravamento, pode ter mais coisas, o ministro está reunido para resolver isso", informou um assessor do ministro.

O corte de fornecimento acontece em um momento em que os reservatórios das hidrelétricas estão cheios, portanto sem muita necessidade de despacho de energia por meio de usinas térmicas, e também com uma produção crescente de gás no mercado doméstico.

Segundo uma fonte da Petrobras, se o corte de gás natural continuar por alguns dias a solução será conter o consumo no país, seja de indústrias que possam substituir gás pelo óleo ou a redução de abastecimento de Gás Natural Veicular, como ocorreu no ano passado causando revolta nos consumidores.

"Além do plano de contingência não dá para fazer milagre", disse a fonte que preferiu manter o anonimato.

O Brasil consome aproximadamente de 60 milhões de metros cúbicos diários de gás natural, sendo a metade fornecida pela Bolívia.

Depois da nacionalização dos ativos de hidrocarbonetos pelo presidente Evo Morales, em 2006, a Petrobras intensificou esforços para aumentar a produção local e também está instalando no Brasil terminais de Gás Natural Liquefeito (GNL), mas que só entrarão em operação no ano que vem. O objetivo é reduzir a dependência da Bolívia.

O Operador Nacional do Sistema (ONS), responsável pelo despacho das térmicas, disse que ainda não foi informado sobre o acionamento de um plano de contigência. Na Petrobras também não havia ninguém disponível para informar quais seriam as possívei medidas suplementares.

As ações da companhia não se abalaram com a notícia de redução de fornecimento de gás natural. O anúncio na noite de quarta-feira de estimativa das reservas de mais um campo gigante na bacia de Santos, Iara, amortecia uma eventual queda do papel por causa da Bolívia.

"É um pouco de Iara e também porque o mercado já estava meio que preparado para a notícia, mas tem impacto sim e já era uma área problemática", afirmou a analista da corretora Ativa Mônica Araújo.

Iara pode conter entre 3 e 4 bilhões de barris de óleo equivalente, metade do estimado para Tupi, entre 5 e 8 bilhões de boe, mas que juntos praticamente dobrariam as revervas da copmpanhia.

Às 12h, os papéis preferenciais da Petrobras operavam em alta de 4,46 por cento, enquanto o Ibovespa caía 0,2 por cento.

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