11 de Janeiro de 2008 / às 11:19 / em 10 anos

Inflação acelera pela 1a vez desde 2003

Por Vanessa Stelzer

SÃO PAULO (Reuters) - A inflação ao consumidor brasileiro acelerou no ano passado pela primeira vez desde 2003, em razão de um salto nos custos de alimentos resultante de fatores externos e internos de demanda e oferta.

Em 2008, a composição da inflação deve mudar, o que garantirá uma taxa inferior, mas muito próxima à do ano passado segundo o mercado. Enquanto os alimentos tendem a desacelerar a alta, os administrados, como tarifas, devem subir mais.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou 4,46 por cento em 2007, ante alta de 3,14 por cento em 2006, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na sexta-feira.

A taxa do ano ficou ligeiramente abaixo do centro da meta de inflação do ano, de 4,5 por cento. A meta tem tolerância de 2 pontos percentuais para cima ou para baixo.

“Veio em linha com o que imaginava, com muito peso de alimentação, que foi o grande destaque do ano”, afirmou Silvio Campos Neto, economista-chefe do Banco Schahin.

Em 2007, os preços de alimentos subiram 10,79 por cento, respondendo por 2,21 pontos percentuais, quase metade, do IPCA. O IBGE apontou como fatores para essa pressão “condições climáticas desfavoráveis, com chuvas intensas no primeiro semestre e longa estiagem no segundo; preços elevados dos produtos cotados no mercado internacional; aumento das exportações, favorecido por problemas climáticos em países produtores; redução de safra por baixa remuneração em períodos anteriores; e aumento da demanda por alimentos, tanto interna quanto externa”.

O item carnes avançou 22,15 por cento e foi a maior contribuição para a inflação no ano. Em segundo lugar ficou o o item leite e derivados, com elevação de 19,79 por cento, e em terceiro o feijão, que saltou 109,20 por cento.

Por outro lado, a maior contribuição negativa de 2007 veio da tarifa de energia elétrica, cujo preço declinou 6,16 por cento. Com isso, os custos dos produtos não-alimentícios tiveram em 2007 a menos alta de 1998, de 2,83 por cento.

“A variação se deveu aos seguintes fatores: câmbio em queda, o que favoreceu o custo dos importados, estimulou a concorrência e levou à redução das tarifas de energia elétrica; aplicação de índices de correção específico em substituição aos gerais; alteração de metodologia de cobrança das contas de telefone fixo de pulso para minutos” e à inexistência de reajustes da gasolina e dos ônibus urbanos em algumas regiões, segundo o IBGE.

Neste ano, isso deve se inverter. “Em 2008, vamos ver uma diferença de composição, com os administrados mais pressionados e alimentação ainda alta, mas menos do que ocorreu em 2007. Esperamos um IPCA ligeiramente abaixo do de 2007, de 4,30 por cento”, afirmou Campos Neto.

Com a aceleração dos índices que balizam contratos, os IGPs em 2007, o comportamento das tarifas neste ano será menos favorável. Além disso, alguns analistas especulam sobre um aumento dos combustíveis em razão dos seguidos recordes do petróleo.

DEZEMBRO POSITIVO NA MARGEM

Em dezembro, o IPCA subiu 0,74 por cento, a maior taxa do ano, acima da variação de 0,38 por cento de novembro.

Os dados abertos mostraram, segundo os analistas, alguns itens positivos, apesar da aceleração.

“Os núcleos desaceleraram em relação ao IPCA-15 de dezembro... e a inflação de serviços apesar de alta, desacelerou na margem”, afirmou Fabio Knijnik, economista do Bes Investimento.

O núcleo por exclusão --sem alimentos em domicílio e preços administrados-- subiu 0,58 por cento em dezembro, ante alta de 0,66 por cento no IPCA-15 do mesmo mês.

O núcleo por médias aparadas com suavização avançou 0,40 por cento, ante 0,41 por cento no IPCA-15. Sem suavização, a alta foi de 0,45 por cento, contra 0,42 por cento. O IBGE não informa os núcleos. Os números foram calculados por economistas ouvidos pela Reuters.

Edição de Cláudia Pires

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