11 de Abril de 2008 / às 17:01 / em 10 anos

Expansão da Samarco deve contar com porto e projeto de energia

Por Denise Luna

RIO DE JANEIRO, 11 de abril (Reuters) - Os estudos da quarta pelotizadora da Samarco, segunda maior exportadora de pelotas e controlada pela Vale (VALE5.SA) e BHP, vão levar um ano e meio para serem concluídos e contarão com a avaliação da construção de mais um porto e de um mineroduto, informou o presidente da Samarco nesta sexta-feira.

Dizendo ainda ser cedo para tomar uma decisão, “precisamos ver o mercado”, José Tadeu de Moraes também avalia projetos de energia para acompanhar o crescimento da empresa, que na próxima semana inaugura a sua terceira pelotizadora.

Com mais 7 milhões de toneladas anuais, a Samarco aumentará sua fatia no mercado mundial de 14 para 19 por cento.

“Para o nosso parque atual não temos problema de energia, mas para ampliações futuras temos que pensar”, explicou Moraes a jornalistas.

A empresa já possui duas hidrelétricas, uma em Minas Gerais e outra no Espírito Santo, onde tem operações.

Com as perspectivas de incremento na produção de gás natural no Espírito Santo, inclusive com ajuda da Vale, que comprou áreas para exploração com essa finalidade no último leilão do governo, a empresa pode optar pela construção de uma usina térmica próxima à operação da companhia.

“Como o Espírito Santo tem muita possibilidade de gás natural, nós estamos esperando isso se consolidar para decidir se teremos plantas de gás”, informou.

A quarta pelotizadora, se for construída, ficará no mesmo local das outras três plantas da companhia, e deverá reproduzir a terceira unidade, o que daria maior agilidade na concessão de licenças ambientais.

Os investimentos, no entanto, serão maiores do que da planta que será inaugurada na próxima sexta-feira, devido à pressão dos custos do mercado internacional, observou Moraes.

“O preço vai ser maior, e no caso da terceira pelotizadora os custos já foram maiores do que o projetado, existe pressão no preço dos equipamentos em função da demanda que está muito aquecida”, afirmou.

A terceira pelotizadora da Samarco teve custo inicial de 1,2 bilhão de dólares, mas, devido principalmente à valorização do real, esse valor cresceu em 400 milhões de dólares, subindo o total de 1,6 bilhão de dólares.

“Só com a valorização cambial o custo subiu 292,8 milhões de dólares”, informou Moraes.

PREÇO AMENIZA CUSTO

O aumento de preços da pelota deverá amenizar a escalada dos custos dos projetos, depois de ter conseguido este ano ajuste maior do que o minério de ferro, ao contrário dos anos anteriores. Os contratos de pelotas para 2008 tiveram aumento de 86,67 por cento, contra a alta de 65 a 71 por cento do minério de ferro.

Moraes destacou que nem sempre foi assim. Em 2006, enquanto o minério teve aumento de 19 por cento, a pelota teve o preço reduzido em 3 por cento; em 2007 a alta de 9,5 por cento do minério foi seguida de um aumento de 5,4 por cento para a pelota. A exceção foi em 2005, quando commodity foi ajustada também acima do minério.

“Nos últimos quatro anos tivemos aumento de cerca de 150 por cento”, disse Moraes, prevendo que em 2009 a tendência é também de alta de preços.

“Os sintomas que estamos vendo é de que não tem indício nenhum de recessão”, afirmou Moraes, que está com toda a produção das três pelotizadoras vendidas e tem recebido porposta de clientes chineses para assinar contratos de até 20 anos.

“Em média os contratos de pelotas tem a duração de sete anos”, informou Moraes, que ainda avalia a proposta.

Clientes também têm procurado a companhia para firmar parcerias e construir pelotizadorasfora do país, o que foi descartado no momento.

“Nós temos sido procurados por clientes com essa proposta, mas não chegamos a fazer nenhum estudo, hoje não pensamos nisso”, garantiu Moraes.

A empresa não pensa também em se tornar concorrente da sua acionista Vale e desviar parte da sua produção para atender o mercado interno de pelota, mesmo diante da crescente instalação de siderúrgicas estrangeiras no país que vão aumentar significativamente a demanda.

“(O Brasil) pode virar cliente, mas a gente tem restrição no mercado interno porque não estamos ligados a ferrovias, só ao porto”, explicou.

Edição de Roberto Samora

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