11 de Fevereiro de 2008 / às 14:57 / em 10 anos

ATUALIZA-Governo admite aumentar cota sem imposto para o trigo

Por Isabel Versiani

BRASÍLIA, 11 de fevereiro (Reuters) - O governo brasileiro poderá elevar o volume de trigo a ser importado pelo país com tarifa zero, ou o prazo de validade da concessão, caso avalie que as condições fixadas na última semana venham a ser insuficientes para garantir o abastecimento.

A informação é da secretária-executiva da Câmara de Comércio Exterior, Lytha Spíndola, que disse a jornalistas que o governo irá monitorar o mercado interno e, caso detecte problemas de abastecimento, poderá fazer ajustes nos termos da cota.

“Questões de abastecimento precisam ser avaliadas. Vamos fazer uma calibragem se houver necessidade”, afirmou Lytha. Ela destacou, no entanto, que o fluxo de importações argentinas foi normalizado em janeiro e que, no momento, não se vislumbra necessidade de alteração das regras.

Na última quarta-feira, a Camex, órgão formado por sete ministros, anunciou a redução para a zero da alíquota de importação que incide sobre o trigo de países que não fazem parte do Mercosul. A medida vale para uma cota de 1 milhão de toneladas de trigo e vai até 30 de junho próximo.

A decisão foi tomada diante de interrupções sucessivas nos registros de exportação do trigo da Argentina, principal fornecedor para o Brasil, afirmou Lytha.

Às vésperas de uma reunião bilateral técnica com a Argentina para tratar de uma série de assuntos comerciais, Lytha e o secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Welber Barral, destacaram que a prioridade do Brasil é fortalecer as trocas com o país vizinho.

“É muito provável que o Brasil só vai adquirir o produto argentino, se não houver problemas de oferta”, afirmou Lytha, ao frisar que os custos com frete para a importação da Argentina são inferiores aos de fornecedores alternativos.

Ela acrescentou, ainda, que os números de janeiro indicam uma normalização no comércio com a Argentina. No mês passado, as importações brasileiras de trigo argentino somaram 229,1 milhões de dólares, contra 107,2 milhões de dólares no mesmo período de 2007.

Com o crescimento, o trigo voltou a ser o principal produto na pauta de importações brasileiras da Argentina, superando automóveis e naftas.

Segundo Barral, a cota de importação com tarifa zero é “regulatória” e o prazo de 30 de junho foi estipulado levando-se em conta a colheita da próxima safra brasileira, que o governo espera que seja recorde.

“O que não significa que, diante de uma eventual dificuldade de abastecimento mundial, a Camex não possa prorrogar o período ou aumentar a cota”, afirmou Barral.

A Argentina tem restringido as exportações de trigo para garantir a oferta local e evitar pressão inflacionária. As importações têm sido autorizadas a conta-gotas, na medida em que o governo avalia haver excedente na produção.

“Eventualmente todo o trigo excedente da Argentina poderá ser insuficiente para abastecer o Brasil”, disse Spíndola.

“Ninguém sabe de quanto vai ser esse excedente”, acrescentou.

Os moinhos brasileiros haviam pedido uma cota maior, de até 4 milhões de toneladas, e um prazo mais dilatado para os negócios de importação livres de tarifa.

Edição de Marcelo Teixeira

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