12 de Junho de 2008 / às 17:38 / em 10 anos

ANÁLISE-Inflação atinge duramente a América Latina em maio

Por Guido Nejamkis

BUENOS AIRES, 12 de junho (Reuters) - O “monstro” da inflação, um dos carrascos da América Latina na “década perdida” de 1980, golpeou novamente a região em maio e ameaça seguir atropelando no resto do ano, se tornando um freio para o crescimento econômico.

Do México a Argenton, sem perdoar nenhum país da região, o mal solto pelos preços recordes do petróleo e as altas do alimentos mantém os governos preocupados, que discutem as doses de um amargo remédio para controlar os preços: o apertamento monetário e a redução dos gastos públicos.

No Brasil, o referencial Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) alcançou seu maior nível desde 1996 para os meses de maio, subindo 0,79 por cento pressionado por alimentos, e o Banco Central advertiu que seguirá subindo as taxas de juros durante o tempo que for necessário.

“Há uma clara deterioração da inflação, superando as previsões do mercado... A inflação pode desacelerar a partir de junho, mas seguirá com taxas bem próximas às de maio”, disse Silvio Campos Neto, economista-chefe do Banco Schahin.

“Só que (a desaceleração) vai ser mais gradual do que a gente pensava antes”, acrescentou o economista.

No México, os preços para o consumidor baixaram 0,11 por cento em maio, mas ficaram acima do esperado, e a inflação do últimos 12 meses subiu para 4,95 por cento, seu maior nível desde dezembro de 2004, acima da meta do banco central de 3,0 por cento com tolerância de um ponto percentual.

Na segunda economia latino-americana, a inflação anual foi alimentada em maio, em grande parte, pelo índice subjacente, considerado melhor parâmetro para medir a evolução dos preços pois elimina a volatilidade, e que subiu 0,50 por cento pela alta nos preços dos alimentos.

Alguns analistas acreditam que a economia mexicana começou a mostrar sinais de contágio pela alta global nos preços dos alimentos, o que eleva a expectativa do banco central aumente em 20 de junho as taxas de juros para conter as pressões.

“No interior do subjacente já não é somente alimentos e produtos associados ao problema global, a parte de serviços já está começando a ser um tema de preocupação”, disse Juan Treviño, economista do HSBC.

Na Argentina, onde somente o governo acredita nos índices oficiais, suspeitos de manipulação, os preços para o consumidor subiram 0,6 por cento em maio, segundo a agência estatal de estatísticas.

Mas os dirigentes da oposição, associações de consumidores e analistas consideram que a inflação real é mais do que o dobro do índice divulgado oficialmente, calculada em base de uma metodologia que não mede os preços de produtos chaves nos gastos dos consumidores.

Segundo os cálculos do economista Ricado Delgado, da consultoria argentina Ecolatina, os preços dos alimentos no país avançavam a um ritmo de “quase 40 por cento anual, antes de 17 por cento no Chile e 12 por cento no Brasil”.

O Banco Central da Colômbia discute entre subir os juros para conter a inflação, e a pressão política para baixá-las e freiar a desaceleração econômica. Enquanto crescem as expectativas de inflação para 5,92 por cento anual.

No Peru, no entanto, a inflação de maio foi de 0,37 por cento, ante 0,15 por cento em abril e acima do esperado por analistas.

Já a Venezuela sofreu uma disparada dos preços, com uma inflação alcançando 3,2 por cento, ante 1,7 por cento em abril. O que levou o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) a um acumulado de 12,4 por cento nos cinco primeiros meses deste ano.

A economia do país exportador de petróleo cresceu no primeiro trimestre a menor taxa de expansão desde 2003 e as autoridades atribuem os níveis de inflação ao avanço dos preços dos alimentos.

A pequena economia uruguaia também foi atinginda pela inflação, que se acelerou a 0,87 por cento, enquanto no Chile chegou a 1,2 por cento, bem acima das previsões.

CONSUMO ATINGIDO

“O que estamos vivendo na América Latina, com variações, é um cenário de inflação em alta com uma desaceleração das taxas de crescimento”, disse Delgado.

A crescente ameaça inflacionária na América Latina despertou a preocupação do Fundo Monetário Internacional (FMI), e seu titular, o francês Dominique Strauss-Kahn, pediu às autoridades que tomem medidas para conter o impacto das altas dos preços dos alimentos e energia.

Nesse sentido, chamou os governos a evitar que a inflação “se fixe nas expectativas e nas demandas salariais”.

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