12 de Novembro de 2007 / às 19:46 / em 10 anos

ANÁLISE-Possível fusão BHP-Rio aumentará concorrência no Brasil

RIO DE JANEIRO, 12 de novembro (Reuters) - O Brasil está na mira dos gigantes da mineração mundial, que correm para descobrir novos depósitos a fim de abastecer a grande demanda por metais de países de forte crescimento como a China.

Analistas dizem que a possível aquisição da Rio Tinto (RIO.L) pela BHP Billiton (BLT.L) aumentará a concorrência para a Companhia Vale do Rio Doce RIO.N VALE5.SA no principal campo de atividade da empresa, o Brasil, onde estão localizadas as mais ricas reservas de minério ferro do mundo.

Consultores de mineração no Brasil disseram nesta segunda-feira que tal aquisição seria boa para novos projetos e que é pouco provável que desencadearia restrições antitruste no segundo maior exportador de minério de ferro após a Austrália.

A Vale é a maior companhia exportadora de minério do mundo.

A BHP, maior mineradora mundial, delineou nesta segunda-feira seu plano para comprar a Rio Tinto, sinalizando estar pronta para uma longa batalha, apesar de a rival ter rejeitado uma proposta de 140 bilhões de dólares na semana passada, considerando o valor muito baixo.

As duas mineradoras estão buscando expandir suas operações de minério de ferro no Brasil.

“Uma fusão desta magnitude pode abrir um enorme leque de possibilidades e a busca de sinergias”, disse Cyro Cunha Melo Filho, da PriceWaterhouseCoopers.

“Acreditamos que o Brasil pode se tornar uma área prioritária de investimentos por parte destas companhias se elas se fundirem”, acrescentou.

Representantes da Rio Tinto e da BHP no Brasil não estavam disponíveis para comentários.

A Vale recusou falar sobre a proposta. Poucos analistas acreditam que a companhia possa tentar comprar a Rio Tinto.

Fontes do mercado também notaram que a potencial fusão pode impulsionar novos investimentos no Brasil em detrimento da Austrália, onde a produção de ferro da Rio Tinto de da BHP está concentrada no momento e que o país apresenta um declínio das reservas do metal.

Eduardo Vale, da consultora Bamburra, disse que a exploração do minério no Brasil por outras companhias além da Vale tem sofrido recentemente devido à falta de escala e fragmentação.

“Entretanto, novos projetos estão agora tornando-se viáveis graças aos preços mais altos do ferro. Há espaço para crescimento”, acrescentou, referindo-se à recente entrada de novos players no cenário de minério de ferro no Brasil, incluindo a MMX, Mhag Mineracao, London Mining e a Cia. Siderúrgica Nacional SID.NCSNA3.SA.

A BHP Billiton é parceira da Vale na mineradora de ferro e pelotizadora Samarco, que deve colocar em operação em março do ano que vem uma nova usina no Espírito Santo.

O consultor José Mendo, da J.Mendo Consultoria, acrescentou que a BHP está fazendo “consideráveis esforços para abrir novos frontes de minério no Brasil”. A empresa está procurando minérios de ferro na Bahia e em Minas Gerais, mas nenhuma das buscas atingiu o estágio de desenvolvimento, relataram consultores.

O diretor comercial da Rio Tinto Brasil, Eduardo Rodrigues, recentemente confirmou que a companhia vai expandir sua exploração de ferro em Corumbá, de 2 milhões de toneladas por ano para 10 milhões.

Mas ainda não há comparação com os níveis de produção da Vale no Brasil, que devem alcançar 300 milhões de toneladas em 2007 e que 450 milhões por ano até 2012.

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