12 de Dezembro de 2007 / às 15:27 / em 10 anos

Investimentos acompanham expansão do PIB, mas BC manterá cautela

Por Vanessa Stelzer

SÃO PAULO, 12 de dezembro (Reuters) - Investimentos em alta, mas demanda também em expansão. Os dados da economia brasileira no terceiro trimestre são positivos para a política monetária, mas o sempre cauteloso Banco Central pode precisar de mais um tempo para avaliá-los, segundo analistas.

O BC deve esperar mais informações sobre a atividade no início de 2008 e os primeiros sinais de que as pressões sobre a inflação corrente estão se dissipando. Para os analistas, isso deve ocorrer a partir do segundo trimestre, quando os cortes do juro podem ser retomados.

“Não é de agora que a formação bruta de capital fixo cresce a taxas de dois dígitos (na comparação com o ano anterior), mas a grande questão é a maturação desses investimentos e o efeito dela em reduzir a inflação”, disse Sandra Utsumi, economista-chefe do Bes Investimento.

“De um lado, tem esse efeito sim. Os preços dos produtos industriais tiveram comportamento mais favorável que os agrícolas. De outro lado, a demanda doméstica continua em um ritmo acelerado. Tudo isso acaba formando um conjunto de informações que é difícil depurar rapidamente.”

A formação bruta de capital fixo --uma medida dos investimentos-- avançou 4,5 por cento no terceiro trimestre ante o segundo e 14,4 por cento sobre o mesmo período de 2006.

O consumo das famílias cresceu 1,5 por cento trimestre a trimestre e 6 por cento na leitura anual, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira.

INFLAÇÃO SAZONAL

A economia brasileira como um todo cresceu 1,7 por cento frente ao segundo trimestre e 5,7 por cento na comparação anual.

Além dos dados de crescimento, o que chama atenção recentemente é a aceleração pontual dos preços de alimentos, que, por motivos sazonais, deve manter-se no início de 2008. Isso explica a parada nos cortes da Selic a partir de outubro.

Para os economistas, o desempenho do PIB mostra que, passada a preocupação com a inflação, os investimentos podem deixar o BC mais tranquilo.

“Essa sinalização de que estão ocorrendo investimentos na economia remete à possibilidade de que lá na frente, no terceiro trimestre de 2008, haja um cenário mais confortável para os preços”, disse Flávio Serrano, economista-chefe da López León Markets.

“Como a política monetária demora a fazer efeito na economia real, acho que isso abre espaço para o BC começar a cortar o juro na reunião de abril.”

O estrategista-chefe do BNP Paribas no Brasil, Alexandre Lintz, também acredita que o BC deverá manter um tom mais conservador diante da economia forte e das pressões inflacionárias, “mas a expansão conduzida por investimentos minimiza o risco de desequilíbrios entre oferta e demanda no médio prazo”.

Reportagem adicional de Daniela Machado; Edição de Renato Andrade

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