12 de Dezembro de 2007 / às 18:58 / em 10 anos

Aécio fala com Lula e pressiona tucanos a aceitar nova proposta

SÃO PAULO (Reuters) - O governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), defendeu na quarta-feira que a bancada do partido no Senado aceite a proposta do governo de transferir para a saúde a totalidade dos recursos da CPMF. Esta seria a contrapartida para que a legenda aprove a continuidade do imposto do cheque até 2011.

Aécio, em entrevista dada em Porto Alegre (RS), disse que recebeu um telefonema do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na terça-feira à noite confirmando a proposta do Palácio do Planalto aos tucanos.

“A partir dessa confirmação do presidente da República, eu conversei durante toda a manhã com os nossos líderes no Senado e o presidente do partido. É claro que a decisão final é do Senado, mas eu não vejo porque não aprovarmos essa proposta”, disse Aécio, que afirmou expressar a opinião de outros governadores da legenda.

Hoje a arrecadação da CPMF é destinada à saúde, a programas sociais e à aposentadoria rural.

“Garantido esse compromisso dos recursos irem para a saúde, nós devemos atuar para que a bancada vote, a decisão será dela, mas que vote na direção da aprovação”, reiterou Aécio.

Os votos do PSDB são decisivos para o governo conseguir as 49 adesões necessárias à aprovação da CPMF, que rende 40 bilhões de reais por ano.

O governador mineiro adiantou ainda que também está em negociação entre o governo e partido a prorrogação da CPMF por um período menor do que quatro anos para que o Planalto prepare e envie ao Congresso uma proposta de reforma tributária que possa ser votada no ano que vem.

Trata-se da primeira confirmação vinda de um cacique tucano sobre a oferta de uma proposta em torno da CPMF, acompanhada de sua defesa mais contundente.

“Ela é importante para o país, não é para um partido. Nós temos algumas regiões do Brasil vivendo uma crise na saúde sem precedente. Virarmos as costas para essa proposta apenas para ficarmos contra o governo, criarmos mais dificuldade para o governo, não é a postura do PSDB”, completou o governador mineiro, utilizando-se do principal argumento que vem sendo usado pelo presidente Lula --o de que a oposição não deve votar contra o governo e o país.

O repasse integral dos recursos da CPMF para o setor da saúde vem sendo defendido também pelo governador de São Paulo, José Serra (PSDB), ex-ministro da área. Aécio e Serra são potenciais candidatos à sucessão de Lula e interessa a eles a manutenção dos recursos da contribuição.

“Se toda a CPMF fosse destinada à área da saúde, mais os impostos que hoje já vão para a saúde, poderia se construir em torno disso um entendimento caso o governo se dispusesse a fazer isso para ajudar a saúde a sair da crise que está no Brasil inteiro. Agora, o desdobramento, o que vai acontecer eu não tenho condição de prever”, afirmou Serra nesta tarde após evento no Palácio das Convenções do Anhembi.

Na terça-feira, senadores do PSDB realizaram reunião até 23h30 para discutir a proposta do governo, mas a posição da bancada se manteve contrária à aprovação da CPMF, cuja votação está marcada para esta tarde.

Reportagem de Carmen Munari

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