13 de Março de 2008 / às 11:33 / em 10 anos

Rebeldes escapam de cerco de forças de segurança no Timor Leste

DILI (Reuters) - Rebeldes considerados responsáveis pelos ataques ao presidente e ao primeiro-ministro do Timor Leste escaparam do cerco das forças de segurança do país, informou o Exército na quinta-feira.

<p>Jos&eacute; Ramos-Horta falando publicamente em DarwinREUTERS. Photo by Reuters Tv</p>

Centenas de forças conjuntas de segurança cercaram os rebeldes por vários dias na selva do distrito de Emera, que fica 75 quilômetros a oeste da capital, Dili. Mas eles não quiseram se render, disse o comandante das operações, Major Virgilio dos Anjos Ular.

“Nós poderíamos ter matado os rebeldes ontem, se quiséssemos. Mas mudamos de idéia e pedimos apenas que se entregassem”, disse ele à Reuters, por telefone.

Ele disse que moradores do local ajudaram os rebeldes a se deslocarem para outro lugar na noite de quarta-feira. Eles são liderados por Gastão Salsinha, tenente renegado do Exército.

Dos Anjos Ular disse que a operação continua e pediu que as pessoas encorajem Salsinha e seus rebeldes a se entregarem para evitar derramamento de sangue.

Os rebeldes atacaram a casa do presidente José Ramos-Horta no dia 11 de fevereiro, ferindo-o seriamente com vários tiros. O primeiro-ministro, Xanana Gusmão, escapou ileso de um ataque paralelo na mesma manhã.

Ramos-Horta, que está se recuperando em um hospital no norte da Austrália, identificou o atirador que quase o matou, segundo um jornal australiano.

O atirador foi um dos 600 soldados rebeldes expulsos do Exército depois de uma greve de 2006, disse o jornal Age, citando o irmão de Ramos-Horta.

Outro importante rebelde acusado de envolvimento no ataque se rendeu no começo deste mês. As autoridades se mostraram confiantes que os outros rebeldes fariam o mesmo.

O Timor Leste, a nação mais jovem da Ásia, tem tido problemas para estabilizar-se desde a independência conseguida em 2002.

O Exército destruiu formações regionais em 2006, quando aproximadamente 600 soldados foram expulsos, o que despertou a violência sectária que matou 37 pessoas e tirou mais 150 mil de suas casas.

Tropas internacionais foram enviadas para restaurar a ordem na antiga colônia portuguesa, que tem cerca de um milhão de habitantes e se tornou totalmente independente da Indonésia depois de uma votação patrocinada pela ONU em 1999 fortemente marcada pela violência.

Depois dos ataques de fevereiro, o primeiro-ministro Gusmão ordenou ao Exército e à polícia que se juntassem para prender os seguidores de Alberto Reinado, morto na investida contra Ramos-Horta.

Reportagem de Tito Bello e Ahmad Pathoni

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