13 de Julho de 2008 / às 15:47 / 9 anos atrás

Bombardier lança jato CSeries

Por Tim Hepher

FARNBOROUGH, Inglaterra (Reuters) - A Bombardier lançou um jato com capacidade para entre 110 e 130 passageiros, o CSeries, neste domingo, em uma tentativa canadense de desafiar as gigantes da indústria Boeing e Airbus.

O anúncio do aguardado lançamento foi feito na véspera da feira de aviação de Farnborough e a companhia canadense informou que Mirabel, perto de Montreal, foi escolhida como local da montagem do novo avião, que entrará em serviço em 2013.

A companhia aérea Lufthansa, cliente antiga da Bombardier, encomendou provisoriamente 30 aviões com opção para mais 30, informou a Bombardier. A companhia aérea alemã não firmou um contrato firme.

O CSeries será vendido por 46,7 milhões de dólares a unidade.

A Bombardier tinha indicado anteriormente que estava esperando ter pelo menos 50 a 100 pedidos antes de se decidir por lançar o novo aparelho, mas as encomendas ficaram menores este ano por causa do peso dos preços em alta dos combustíveis.

"Estamos engajados com ativas e muito promissoras negociações com uma série de companhias aéreas ao redor do mundo", disse o presidente-executivo da Bombardier, Pierre Baudouin, a jornalistas.

A fabricante de aviões afirmou que o lançamento vai "revolucionar" o segmento de aeronaves de 100 a 149 passageiros por causa da eficiência no consumo do combustível do novo avião.

Esse segmento é uma parte do mercado de aviões comerciais que o chefe comercial da Bombardier, Gary Scott, acredita que está sendo negligenciado pela Boeing, titã sediada em Seattle, onde trabalhou quatro anos atrás.

"A nossos amigos de Seattle, eu digo que esses aviões são reais e nós vamos atender um espaço de mercado que eles ignoram há muito tempo", disse o executivo. Ele acrescentou brincando: "É apenas um mercado de meio trilhão de dólares abaixo dos 150 assentos. Nós podemos deixar isso à Bombardier."

O CSeries vai competir com a versão menor do Boeing 737 e com a família A320 da Airbus na substituição de aviões antigos como os MD-80.

Além dos modelos da Airbus e da Boeing, o CSeries competirá com o ERJ195 produzido pela brasileira Embraer, principal rival da Bombardier.

Um executivo da Bombardier informou que a família CSeries, que terá duas variantes com 110 e 130 assentos respectivamente, consumirá 20 por cento menos combustível por viagem que o rival mais próximo da Embraer, chegando "ao topo dos 20 por cento" contra o Boeing 737-600 ou 700. O avião é movido por motores produzidos pela Pratt & Whitney.

As asas serão fabricadas em Belfast, Irlanda do Norte, e a fuselagem na China, por meio de um acordo com a estatal chinesa AVIC I.

A Bombardier informou que receberá empréstimos dos governos do Canadá e de Québec, bem como da Irlanda do Norte e do governo britânico, para financiar um terço dos custos de pesquisa e desenvolvimento. Um sistema de financiamento semelhante para a Airbus está sendo questionado pela Boeing.

"Estamos confiantes de que o que foi colocado em prática está de acordo com a Organização Mundial de Comércio", disse Baudouin.

O especialista no mercado de aviação David Pritchard, da Universidade de Bufalo, disse que usar o sistema que está no cerne de uma grande disputa internacional de comércio pode expor a Bombardier a queixas.

"Os Estados Unidos vão atrás da Bombardier e aí a Embraer vai atrás deles também", prevê Pritchard. Mas ele disse que provavelmente a Embraer vai preferir concentrar sua rivalidade comercial em jatos executivos que seguir a Bombardier no grande mercado de aviões comerciais.

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