13 de Maio de 2008 / às 19:21 / em 10 anos

Meirelles aponta riscos à inflação, indica aperto curto

Por Isabel Versiani

BRASÍLIA (Reuters) - O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, destacou nesta terça-feira os riscos inflacionários que pesam sobre a economia brasileira e afirmou que é papel da autoridade monetária estar sempre alerta para garantir a continuidade do cenário de crescimento com inflação controlada.

Ele ponderou, no entanto, que o quadro de estabilidade econômica que o país vive demanda ciclos de aperto monetário de menor amplitude do que no passado.

“É importante que o Banco Central tome medidas a tempo e a hora para que o país continue na sua trajetória de crescimento com inflação baixa”, disse Meirelles em depoimento à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado.

“O Banco Central tem que olhar a perspectiva da inflação futura, isso é desafiador.”

Ele destacou que os núcleos de inflação dos últimos quatro trimestres sinalizam uma tendência de “crescimento subjacente” dos preços no país e afirmou que os preços no atacado oferecem riscos de repasses ao varejo nos próximos meses.

“O Banco Central tem que estar alerta”, afirmou.

Meirelles mostrou, ainda, que as expectativas do mercado para a inflação em 2008 estão próximas de 5 por cento, acima do centro da meta de 4,5 por cento. Para 2009, as expectativas subiram ligeiramente, mas permanecem consistentes com o centro da meta.

“É importante que a autoridade monetária tome providências para que continue consistente”, argumentou, acrescentando que a expectativa de inflação menor em 2009 por parte do mercado leva em conta a atuação do BC.

Segundo Meirelles, se o BC não mostra disposição de combater a inflação, as expectativas sobem e os juros do mercado também se elevam. Daí a importância de uma posição firme da autoridade monetária neste momento.

“A mensagem à nação é que o Banco Central tem a questão da inflação no Brasil sob controle.”

CICLOS MONETÁRIOS

Ao comentar a trajetória da taxa Selic nos últimos anos, Meirelles afirmou que a tendência é que os ciclos de aperto sejam menores do que no passado.

“Hoje temos a economia estabilizada. Isso não elimina a necessidade de um aperto, mas faz com que ele tenha outra amplitude”, afirmou Meirelles.

“A escala é menor, o patamar é menor e isso é uma boa notícia”, acrescentou, ao comparar os apertos monetários promovidos em 2003 e 2005 com o recente aumento dos juros.

O Banco Central elevou a taxa Selic em 0,5 ponto em abril, para 11,75 por cento ao ano, e indicou que promoverá novos aumentos.

Questionado por um senador se o Brasil não estaria agindo na contramão da tendência mundial ao elevar os juros, Meirelles afirmou que “política monetária não se faz por analogia”.

Edição de Alexandre Caverni e Vanessa Stelzer

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