13 de Outubro de 2008 / às 10:03 / 9 anos atrás

Marta parte para o ataque em debate com Kassab na TV

Por Carmen Munari

SÃO PAULO, 13 de outubro (Reuters) - No primeiro debate do segundo turno da eleição em São Paulo, a candidata Marta Suplicy (PT), em desvantagem nas pesquisas de intenção de voto, partiu para o ataque e foi incansável nas críticas à gestão e ao passado político do prefeito Gilberto Kassab (DEM).

O candidato ficou na defensiva no início e ganhou fôlego no transcorrer do programa, trazendo para o enfrentamento até o caso do mensalão. Rechearam os ataques dos dois candidatos expressões coloquiais como “impressionante” e “mentira deslavada”.

Marta, prefeita entre 2001 e 2004, buscou, na maior parte das duas horas do debate realizado pela TV Bandeirantes na noite de domingo, identificar Kassab com o ex-prefeito Celso Pitta, de quem ele foi secretário do Planejamento e que deixou a prefeitura debaixo de um escândalo. O ex-prefeito Paulo Maluf (PP) também esteve entre as identidades.

Na crítica mais contundente, disse que Kassab “se traveste” de tucano e que é o último líder de um “partido em extinção”, o PFL (que atualmente se chama DEM).

“Eu ando com o (presidente Luiz Inácio) Lula (da Silva), tenho muito orgulho disso. Você anda com Maluf e Pitta, é importante a população saber. A minha (trajetória), não tenho nenhum problema em assumir”, disse Marta.

O prefeito por sua vez lembrou que Maluf apoiou Marta em 2004 e faz parte da base do governo federal.

“O seu maqueteiro está de parabéns porque fez uma propaganda que as pessoas puderam ter uma idéia do Kassab da propaganda, aquele que promete coisas que o Kassab prefeito não faz. Agora, não vi na sua propaganda falar da sua trajetória, que as pessoas não conhecem. As pessoas não sabem que você é do DEM. Você aparece travestido de tucano, tenta enganar a população se dizendo tucano. Você é o líder que sobrou do PFL no Brasil, é quem vai capitanear um partido em extinção dos coronéis do Nordeste”, atacou Marta.

Kassab, vice de José Serra na prefeitura, assumiu o posto em março de 2006 quando o tucano deixou o cargo para disputar o governo. A gestão, porém, é tocada em sua maioria por integrantes do PSDB.

Nas inúmeras vezes em que vinculou Kassab a Pitta, Marta citou “o caos” em que encontrou a prefeitura em 2001; disse que foi o ex-prefeito quem construiu as escolas de lata, com a aprovação de Kassab, e ainda que o atual prefeito “liderou o movimento reage Pitta, chamando-o honesto”, quando ele já estava sendo processado.

Kassab, que por mais de uma vez afirmou que a população conhecia seu passado e que o paulistano aprova sua gestão, citando o nível de 61 por cento de aprovação apurado pelo instituto Datafolha, disse que se arrependeu e se afastou de Pitta.

No terceiro bloco, no entanto, ao utilizar o tempo de direito de resposta, fez uso da artilharia mais pesada contra Marta. Ele afirmou que a mulher do ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares, acusado de comandar o esquema do mensalão, foi assessora da ex-prefeita. Trouxe ao debate ainda o chamado “escândalo da cueca” em que uma pessoa ligada ao PT foi encontrada com dólares não declarados.

“A candidata Marta faz um debate pequeno, até mesquinho. Talvez seja o desespero pelas pesquisas. É impressionante. Ela aqui vem falar em companhias e esquece de mencionar que ela está ao lado do Delúbio, que foi o centro do esquema do mensalão, que a esposa do Delúbio foi sua principal assessora e continua sendo. Ela esquece de falar que companheiros seus do escândalo do dólar na cueca estão em sua campanha, portanto é impressionante. E ainda vem aqui agredir dizendo que a gente mente”, revidou. Marta não respondeu.

A estratégia agressiva da petista apontou também contradições entre as ações do prefeito e as promessas do candidato.

“Em que Kassab a população deve acreditar? No Kassab de 2006 que vetou ou o de agora que diz na propaganda que vai fazer. Um veta e outro diz que vai fazer”, disse Marta no debate sobre cursos profissionalizantes.

Marta também acusou o prefeito de vetar projeto da Câmara de Vereadores que aprovou o período de seis meses da licença-maternidade para as servidoras da prefeitura em dezembro do ano passado e agora afirma ser a favor.

“Vetou claro, mas agora o senhor tem uma adversária mulher. Por que agora pode uma coisa que não podia antes? A pessoa que está me escutando, em quem tem que acreditar? No Kassab que vetou a licença-maternidade ou no Kassab da propaganda que pertinho das eleições reapresentou. São dois Kassabs, um que veta e outro que diz que faz”, afirmou.

Ele explicou: “O veto é porque era inconstitucional, porque só o poder Executivo pode originar despesas. Por isso vetei e reapresentei à Câmara”.

Marta voltou à carga em um caso semelhante em que a prefeitura enviou aos vereadores um projeto ambiental que embutia a cobrança de pedágio urbano. Depois de enviado, este item foi retirado. Kassab explicou que a inclusão foi um equívoco.

“O que posso dizer para a população é que é mentira que vou implantar o projeto do pedágio urbano. Foi equívoco, não tenho problema com equívoco”, justificou.

Marta não deixou de comentar. “Que garantia você tem? Ele veta, e por que não tirou o projeto? O pedágio onera os mais pobres, já foi tentado em Londres e não deu certo”.

Coube ainda à petista trazer para o debate o nome do candidato derrotado Geraldo Alckmin, que dividiu com Kassab o apoio do PSDB. Ela disse que há déficit de 110 mil vagas para creches e pré-escolas, número insistentemente mencionado por Alckmin na campanha. O prefeito disse que criou 45 mil vagas e que pretende eliminar o déficit se reeleito.

O presidente Lula e Serra foram evocados pelos dois lados. Kassab, pela continuidade da gestão, e Marta, pela parceria de projeto.

Houve três pedidos de resposta, o do prefeito foi aceito e os dois de Marta foram negados.

Coube ao apresentador, jornalista Boris Kasoy, resumir a tensão da noite. “As aparências de calma diante da câmara não era reveladas nos intervalos. Tive medo que a coisa degringolasse”, disse Boris, que por várias vezes teve que pedir silêncio à platéia formada por convidados dos dois lados. Estão previstos mais dois debates, na Record e na Globo.

Edição de Renato Andrade

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