13 de Outubro de 2008 / às 18:32 / em 9 anos

ANÁLISE-Inflação pelo câmbio e impacto da crise confrontam Copom

Por Vanessa Stelzer

SÃO PAULO, 13 de outubro (Reuters) - De um lado, o dólar acima de 2 reais e um aumento nas previsões de inflação do ano. De outro, o impacto ainda incerto da crise global sobre a atividade econômica. No meio, o Comitê de Política Monetária (Copom), que se reúne no final do mês para uma das decisões mais difíceis dos últimos tempos.

Se o dólar se acomodar em um nível mais baixo, analistas podem apostar na manutenção da Selic. Mas, por enquanto, o mercado está dividido em três: os que ainda prevêem alta de 0,50 ponto percentual, a 14,25 por cento ao ano, os que já revisaram a previsão para estabilidade em 13,75 por cento e os que estão com os prognósticos em aberto.

“A situação do BC não é das melhores. Se o dólar continuar caindo, aumenta a possibilidade de manter o juro, mas por enquanto continuamos prevendo alta de 0,50 ponto em outubro”, afirmou Flávio Serrano, economista sênior do Bes Investimento.

“A atividade vai arrefecer, mas ainda está muito forte. No ambiente de demanda aquecida, há mais riscos de que o choque de câmbio se transfira para preços além dos comercializáveis.”

O dólar está acima de 2 reais desde 2 de outubro. Mesmo com a queda de quase 7 por cento nesta segunda-feira, a moeda norte-americana ainda acumula alta de 13,7 por cento no mês, mas até agora o impacto na inflação não foi significativo.

Luciano Costa, economista do Unibanco Asset Management, calcula que o dólar precisa ficar em uma média consistente mais alta por um período de 20 dias úteis para afetar os IGPs e de 40 dias úteis para influenciar o IPCA. Além disso, a queda das commodities ajuda a contrabalançar parte de um eventual impacto.

Mas o mercado já começa a ajustar ligeiramente para cima seus prognósticos. Segundo o relatório Focus, a projeção para a alta do IGP-M em 2008 passou de 10,10 por cento na semana passada para 10,37 por cento, enquando a do IGP-DI aumentou de 9,77 para 10,07 por cento. Para o IPCA, a estimativa foi de 6,14 para 6,20 por cento.

CRISE ASSUSTA

Apostando em um impacto maior da crise, Unibanco e Credit Suisse foram dois bancos a revisar na semana passada as projeções para a Selic em outubro, de elevação de 0,50 ponto para estabilidade.

“Sob este cenário internacional bastante incerto e alarmante, acreditamos que o BC irá fazer uma pausa no ciclo de alta para evitar a escalada do aperto da liquidez no mercado local de crédito”, disse Giovanna Rocca, analista do Unibanco.

A previsão de Elson Teles, economista-chefe da Concórdia Corretora, ainda está em aberto. Ele acredita que “aumentou bastante” a probabilidade de o Copom adotar uma pausa técnica em outubro.

“O objetivo (de uma pausa) seria dar um tempo maior para que as incertezas quanto aos desdobramentos da crise externa, principalmente sobre a dinâmica da atividade econômica e da inflação doméstica, sejam mais bem compreendidos e avaliados”, disse Teles.

Como Serrano, do Bes, ele acredita que, se o câmbio se acomodar perto de 2 reais, a manutenção da Selic é praticamente certa. Outro ponto é que as expectativas de inflação para 2009 mantenham-se bem comportadas até a reunião dos dias 28 e 29.

Por enquanto, o Banco Central vem tentando limitar os efeitos da crise por meio da liberação de depósitos compulsórios, o que aumenta a liquidez do mercado.

“Ele está tentando fazer dinheiro circular e contornar um problema localizado. Essa não é uma decisão de política monetária e não seria contraditória com um eventual aumento da Selic”, avaliou Serrano.

Edição de Daniela Machado e Alexandre Caverni

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