14 de Dezembro de 2007 / às 12:50 / em 10 anos

Acidente em porto suspende embarques da Vale para China

HONG KONG (Reuters) - A Vale, maior produtora de minério de ferro do mundo, declarou força maior sobre alguns carregamentos do mineral com destino para para China depois de uma acidente no porto de Sepetiba/Itaguaí, no Rio de Janeiro, ajudando a elevar o preço do minério de ferro no mercado ‘spot’ (à vista) para um novo recorde.

A elevação nos preços do mercado à vista torna mais difícil para as siderúrgicas limitar aumentos de preço para o próximo ano nas negociações com grandes mineradoras mundiais, entre elas a BHP Billiton e a Rio Tinto .

Traders do mercado de minério de ferro na China informaram que a Vale comunicou a alguns compradores que precisaria suspender embarques no porto de Sepetiba (Itaguaí) por 10 dias.

Segundo a administradora do porto, a Companhia Docas do Rio de Janeiro, um acidente com o navio Nordstar, no último sábado, em um pier do porto, interrompeu os embarques da Vale.

“Os navios da Vale não estão podendo atracar, mas o pier está sendo consertado e tudo será normalizado entre sábado e domingo”, informou a assessoria de imprensa da Docas.

A Vale não soube confirmar a informação. Segundo a assessoria da mineradora, nenhum executivo da companhia estava imediatamente disponível para informar sobre a suspensão dos embarques.

Segundo os traders, a suspensão afeta 12 embarcações, ou possivelmente mais de 1 milhão de toneladas. O tempo entre o carregamento e a liberação para navegação dos navios pode levar até 20 dias, provocando mais problemas aos já congestionados portos brasileiros.

“A força maior não é só um rumor. Já passamos por isso”, disse um trader.

“Temos vários navios lá... Dois ou três deles foram afetados. Uma dúzia está esperando lá.”

Uma autoridade da Vale na China não quis comentar o assunto.

O problema é restrito a apenas um berço no Brasil, mas ocorre em um momento de fornecimento apertado de minério de ferro na China por conta de congestionamentos nos portos da Austrália, da oferta limitada de minérios produzidos internamente e do ritmo lento nas exportações indianas.

PREÇOS ALTOS, RESTRIÇÃO DA OFERTA

Os preços do minério de ferro no mercado ‘spot’ da Índia atingiram o patamar de 200 dólares por tonelada, custo e frete -- mais que o dobro dos preços do início do ano --, ante 185 dólares na semana passada, de acordo com traders chineses, que esperavam níveis ainda mais altos para o mercado.

“No momento, nenhuma siderúrgia está disposta a pagar estes preços. Mas posso prever que os preços chegarão a estes níveis na próxima semana ou na semana seguinte”, disse outro trader de minério de ferro em Pequim. “Elas (as siderúrgicas) podem olhar para trás em janeiro e achar que os preços de agora estavam baixos.”

As siderúrgicas chinesas pretendem limitar a elevação dos preços contratados em 2008, mas sofrem dificuldades por conta das cotações no mercado ‘spot’, bastante superiores à média dos preços contratados deste ano, de aproximadamente 60 dólares por tonelada (FOB) do Brasil ou cerca de 45 dólares da Austrália.

A Vale também alertou os compradores chineses sobre a necessidade de diminuir as exportações no início do primeiro trimestre para corrigir o congestionamento nos portos.

As exportações da australiana Hamersley também devem ser reduzidas no primeiro trimestre por conta de restrições portuárias, segundo traders.

A escassez de matéria-prima obrigou as siderúrgicas chinesas a limitar a produção em novembro após uma produção recorde de 42,92 milhões de toneladas em outubro. A produção de aço na China caiu para 39,36 milhões de toneladas no mês passado, menor nível registrado desde março.

“Isto confirma a nossa visão de redução na produção de aço bruto da China. Os pequenos fabricantes de aço tiveram de fechar diante da elevação nos preços da matéria-prima e da pressão do governo”, afirmou Feng Zhang, analista da JP Morgan em um relatório divulgado na sexta-feira.

A China, maior produtora e consumidora de aço do mundo, precisa importar metade de suas necessidades de minério de ferro.

Por Nao Nakanishi e Denise Luna

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