14 de Maio de 2008 / às 21:58 / 10 anos atrás

ATUALIZA-VALE retoma operação da ferrovia de Carajás nesta 4a

(Acrescenta entrevista com diretor da Vale)

Por Denise Luna

RIO DE JANEIRO, 14 de maio (Reuters) - O transporte de minério de ferro na Estrada de Ferro de Carajás, da Vale VALE5.SA, deverá ser retomado até ainda nesta quarta-feira e, só após se certificar das condições de segurança da operação a empresa retomará o transporte de passageiros.

Segundo o diretor de assuntos institucionais e de sustentabilidade da mineradora, Walter Cover, os estragos feitos por garimpeiros e integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra na ferrovia, ocupada na terça-feira e liberada na manhã desta quarta, impedem a retomada imediata do serviço para os passageiros.

“Eles cometeram atos gravíssimos de sabotagem com alto potencial de provocar tragédias e risco de morte”, afirmou a jornalistas o diretor, que reivindica maior apoio dos governos federal e estadual após sucessivos prejuízos da empresa.

Com a invasão, a Vale deixou de transportar 285 mil toneladas de minério de ferro e 1.300 pessoas ficaram sem transporte. Como a empresa está sem estoques no porto de São Luiz, no Maranhão, a carga deixou de ser embarcada e a empresa terá que pagar multa por atraso. No ano passado, a companhia pagou 275 milhões de reais por atrasos no embarque.

Esta foi a 11a invasão de manifestantes do MST em unidades da Vale nos últimos 13 meses. Segundo Cover, a diferença desta invasão para as demais foi a estratégia utilizada de danificar os ativos da empresa.

Entre outros danos os manifestantes retiraram 1.200 grampos que fixam os trilhos ao solo, num trecho de mais de 200 metros de extensão; cortaram os cabos de fibra ótica que passam pelos trilhos, interrompendo a comunicação via celular de Carajás; atearam fogo em pneus sobre os trilhos, danificando mais de 300 dormentes; e usaram macaco hidráulico para levantar os trilhos, comprometendo a sustentação da linha.

“É uma subida de degrau na estratégia do movimento e não sabemos o que pode acontecer a partir daí”, disse Cover.

“Como vamos poder ficar protegidos em 8 mil quilômetros de ferrovia que temos pelo país? Conclamamos ao Ministério da Justiça que através do Ministério Público identifique os responsáveis por esses atos no Brasil, estamos começando a ver um risco bastante grande”, afirmou.

Cover explicou que o baixo contigente policial nas imediações faz com que seja impossível evitar a invasão. No caso desta última, a polícia chegou depois que os manifestantes já tinham danificado e abandonado a ferrovia.

Ele lembrou que a Vale tem mandato judicial impedindo que o MST entre em ativos da empresa, mas que o documento não vem se mostrando eficiente, tanto que a empresa já pediu aumento no valor da multa.

“O que existe é uma impunidade...Temos buscado a multa e até prisão, mas prendem e dias depois soltam e eles voltam a invadir”, lamentou. “Temos pedido à Polícia Federal que busquem os culpados e que eles sejam responsabilizados”, concluiu.

O MST informou que a invasão é parte de um protesto em favor dos trabalhadores na mineração.

“O MST esclarece que a obstrução dos trilhos da Estrada de Ferro Carajás... foi realizada pelo MTM (Movimento dos Trabalhadores na Mineração), para reivindicar a retirada da mineradora de parte de uma área de Serra Pelada, a criação do Estatuto dos Garimpeiros e aposentadoria especial para a categoria”, disse a organização em nota.

“O MST reafirma que apóia manifestações que denunciam a responsabilidade da Vale por suas ações que desrespeitam os direitos sociais e ambientais das comunidades que vivem em torno das suas instalações, dos garimpeiros e dos seus trabalhadores”, informou o movimento.

O MST negou que a manifestação na ferrovia tenha provocado os danos descritos pela mineradora.

Reportagem de Denise Luna; Edição de Marcelo Teixeira

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