14 de Outubro de 2008 / às 20:56 / 9 anos atrás

PRÉVIA-Analistas descartam impacto da crise na BRASIL TELECOM

Por Taís Fuoco

SÃO PAULO, 14 de outubro (Reuters) - Com parcela pequena de seu endividamento em dólares sem hedge, a Brasil Telecom BRTP4.SA deverá apresentar um balanço sem supresas na quinta-feira, quando divulga os resultados do terceiro trimestre deste ano.

A expectativa média dos analistas ouvidos pela Reuters é a de que a companhia apresente um lucro líquido similar ao do mesmo trimestre do ano passado, de 150 milhões de reais, e uma receita líquida 4,5 por cento superior, de 2,872 bilhões de reais.

A analistas esperam que, como nos últimos trimestres, a telefonia móvel e a banda larga impulsionem o faturamento, enquanto a telefonia fixa segue estagnada.

A variação esperada também é pequena na geração de caixa medida pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, da sigla em inglês).

Na média, a expectativa é de um Ebitda de 1,005 bilhão de reais, ante os 970,1 milhões de reais verificados no terceiro trimestre de 2007.

SEM EFEITOS DA PORTABILIDADE

A portabilidade numérica, que começou em oito cidades do país em agosto, ainda não vai se fazer notar no balanço da Brasil Telecom, ainda que dois dos municípios estejam em sua área de cobertura (Goiânia e Campo Grande).

"Não vai aparecer agora, talvez só no quarto trimestre deste ano ou no primeiro trimestre de 2009, quando a portabilidade estará nas grandes capitais", afirmou a analista Luciana Leocadio, da Ativa Corretora.

Tanto ela quanto Alex Pardellas, do Banif, esperam pequeno aumento na despesa financeira da companhia porque "uma pequena parcela da dívida em dólar não estava hedgeada" no segundo trimestre, segundo Pardellas.

Para Luciana, trata-se de algo como 7 por cento da dívida, por isso o impacto esperado é pequeno.

TRANSAÇÃO NO ALVO

Os analistas ressaltam que a performance dos papéis da Brasil Telecom está, nos últimos meses, muito mais voltada às notícias sobre a compra de seu controle pela Oi TNLP4.SA do que ao desempenho operacional, onde não se espera nenhuma novidade.

"Queremos ressaltar que o acordo Oi-Brasil Telecom é o principal driver das ações da BrT, colocando a parte operacional em segundo plano", diz relatório de analistas do Unibanco.

O processo de compra por parte da Oi, anunciada no dia 25 de abril, terá um passo importante na quinta-feira, logo após a divulgação do balanço da Brasil Telecom.

O conselho da Anatel vai votar o novo Plano Geral de Outorgas (PGO) em uma sessão aberta ao público pela primeira vez em sua história. O atual PGO proíbe que uma concessionária assuma o controle de outra, mas o novo permite esse tipo de transação.

Relatório da Brascan Corretora afirma que, se a transação se concretizar, o preço justo no curto prazo para as ações da Brasil Telecom Participações é de 16 reais e da operadora (Brasil Telecom S.A.), 12,70 reais.

Os analistas, entretanto, citam duas possibilidades para que o acordo não saia: uma alteração do PGO de maneira diversa aos interesses da Oi e um atraso na concessão da anuência prévia da Anatel sem que seja realizado nenhum acordo bilateral entre as partes para estender o prazo.

No contrato, Oi e Brasil Telecom fixaram em 240 dias a partir de 25 de abril o prazo para que a transação aconteça, sob pena de a Oi ter de pagar multa de 490 milhões de reais.

Edição de Fabio Murakawa

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