14 de Outubro de 2008 / às 19:44 / em 9 anos

Indústria de aço mantém planos de 2008, faz mistério sobre 2009

Por Alberto Alerigi Jr.

SÃO PAULO, 14 de outubro (Reuters) - A indústria siderúrgica brasileira mantém suas metas de produção de aço bruto em 2008, mas o cenário de crise financeira internacional agravado desde o mês passado desencoraja o setor a divulgar projeções firmes para o ano que vem.

Segundo o presidente do Instituto Brasileiro de Siderurgia (IBS), Flávio Roberto de Azevedo, apesar de algumas produtoras de aço estarem fazendo ajustes de produção neste semestre, as paradas estão ocorrendo diante de necessidades de manutenção que foram antecipadas.

“Existem necessidades de manutenção e você antecipa paradas diante da conjuntura. Mas isso não significa que vão produzir menos anualmente”, disse Azevedo a jornalistas, após evento para divulgação de relatório de sustentabilidade do setor.

A expectativa do IBS é de produção de cerca de 37 milhões de toneladas de aço bruto em 2008, expansão de 7,4 por cento sobre o ano passado.

“Para 2009, qualquer projeção é especulativa... mas não vejo motivo para o setor siderúrgico não crescer mais que o PIB (Produto Interno Bruto) ano que vem”, acrescentou o presidente do IBS. A expectativa do mercado é de que o PIB cresça 3,5 por cento em 2009 depois de avançar cerca de 5 por cento este ano.

“Esse cenário ainda sim é de crescimento, de crescimento produtivo, e isso é bom”, afirmou.

Mesmo diante de incertezas sobre o mercado de crédito, o setor siderúrgico se mostra confiante: “Não existem problemas de crédito que possam reduzir a velocidade de implantação dos projetos de expansão”, disse o presidente do IBS.

A indústria produtora de aço do Brasil projeta investimentos de 58,7 bilhões de dólares entre o ano passado e 2015, elevando a capacidade produtiva de 41 milhões de toneladas anuais para 66,7 milhões de toneladas. Se forem incluídas as 16,5 milhões de toneladas previstas em projetos em estudos, o total subirá para 83,2 milhões de toneladas.

“Os projetos em estudo podem sofrer alteração”, ponderou Azevedo, ao responder pergunta sobre os planos que ainda estão nas pranchetas das siderúrgicas. Segundo ele, a maior parte dos recursos para os investimentos está saindo do caixa das próprias empresas ou de financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

ARCELORMITTAL BRASIL

Entre as siderúrgicas que estão avaliando seu parque produtivo está a ArcelorMittal Brasil, unidade do maior grupo siderúrgico do mundo, a ArcelorMittal ISPA.AS, que sinalizou em setembro que pretende cortar produção em 15 por cento para dar sustentação aos preços. Os cortes se concentrariam primeiramente em produtos de aço longo.

Ao ser questionado sobre a estratégia da empresa no Brasil, o presidente da ArcelorMittal Brasil, presente ao evento do IBS, José Armando Campos, afirmou que estão “estudando que ajustes vamos ter que fazer em função da evolução da demanda nesses últimos três meses”. “Estamos em uma fase de analisar.”

Especificamente sobre o mercado de construção civil, importante consumidor de aços longos, Campos brincou: “Tem um sinal vermelho dizendo que o crédito vai ficar mais escasso, mas quando se abre um jornal de São Paulo no domingo, não tem nem como ler, de tanto anúncio imobiliário. Alguma coisa tem que estar errada”.

Ele não confirmou informação de relatório do Goldman Sachs de que a ArcelorMittal Tubarão, no Espírito Santo, estuda cortar produção de placas em 20 por cento neste final de ano. “Ninguém veio aqui perguntar, não confirmo esse número. Esse número está errado. Eu estou estudando.”

“A gente tem sempre que diferenciar curto e longo prazo. No curto, é problema de conjuntura... mas no longo prazo você acha que alguém mexe em projeto que gastou tempo, consultor, inteligência de mercado, estratégia? Ninguém muda estratégia assim no botãozinho, de jeito nenhum”, acrescentou Campos.

Edição de Daniela Machado

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