15 de Setembro de 2008 / às 18:01 / em 9 anos

Dados de Júpiter, no pré-sal, devem sair em breve

Por Denise Luna

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O campo de Júpiter, na camada pré-sal da bacia de Santos, deve ser o próximo a ter dados sobre o volume das reservas divulgados ao mercado, informou nesta segunda-feira o presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli.

Ele afirmou que as informações sobre Júpiter, uma formação que fica um pouco mais ao leste de Tupi e que possui grande quantidade de gás natural, serão divulgadas “em breve”, sem especificar uma data.

“Está em fase final de análise”, afirmou o presidente da Petrobras sobre as informações do campo.

A confirmação da existência de óleo e gás em Júpiter foi feita em janeiro deste ano pela Petrobras. Na ocasião, a empresa informou que o campo poderia ter dimensões similares ao de Tupi, mas com grande concentração de gás.

A descoberta levou algumas autoridades do governo a dizer que o local poderia garantir a autosuficiência do país em gás natural, já que atualmente quase metade do que o país consome é importado da Bolívia.

Na semana passada, a Petrobras divulgou informações sobre as reservas no campo de Iara, no mesmo bloco onde está Tupi, informando que o local poderia conter de 3 a 4 bilhões de barris de óleo equivalente.

Tupi tem reservas estimadas entre 5 e 8 bilhões de barris.

O anúncio sobre Iara causou certa surpresa no mercado, que parece ter sido compartilhada pela estatal.

“Certamente os dados de Iara foram muito surpreendentes. O plano de avaliação demonstrou uma surpresa positiva e otimista”, afirmou Gabrielli a jornalistas pouco depois da abertura da conferência Rio Oil & Gas, que reúne representantes das maiores empresas do setor.

QUEDA DO PETRÓLEO E PREÇOS NO BRASIL

O presidente da Petrobras descartou, por ora, qualquer alteração nos preços dos combustíveis no Brasil relacionada às fortes quedas nos preços internacionais do petróleo.

Os futuros do petróleo chegaram a cair quase 7 por cento nesta segunda-feira nos EUA, após o furacão Ike ter poupado boa parte da infra-estrutura petroleira no país e por temores de que a crise financeira reduza a demanda pelo produto.

“Temos dito sistematicamente que nossa política não é de transferência de volatilidade. Não temos porque fazer isso agora”, afirmou Gabrielli.

“Quando foi a 140 (dólares o barril) a gente não repassou, não vai ser agora que a gente vai repassar”, acrescentou.

Para ele, ainda há uma situação de aperto na oferta de petróleo a nível mundial.

“Há uma demanda que não tem caído, principalmente dos países fora da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico). A queda está concentrada nos EUA, Europa e Japão, mas fora desses países a demanda continua forte”, disse Gabrielli.

“Não tem porque esperar quedas significativas no preço ou elevações significativas”.

Ainda sobre o mercado de combustíveis no Brasil, Gabrielli afirmou que a Petrobras pretende cumprir com as exigências ambientais do governo sobre o óleo diesel, mesmo que tenha que importar o produto.

Está previsto a introdução de diesel no Brasil a partir de 2009 com menor concentração de enxofre, mas a estatal ainda não produz esse combustível em quantidade suficiente.

“Assim que forem anunciadas as exigências, nós as cumpriremos, mesmo que seja através de importação”.

Ele disse que seria necessário realizar um levantamento sobre quantos motores no Brasil estão aptos a consumir o novo diesel para definir os volumes de importação.

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