15 de Setembro de 2008 / às 21:13 / 9 anos atrás

Colapso do Lehman patrocina maior queda em 7 anos

Por Aluísio Alves

SÃO PAULO (Reuters) - O fantasma de uma quebradeira em série no sistema financeiro norte-americano, reavivado pelo colapso do Lehman Brothers, acertou em cheio a Bolsa de Valores de São Paulo, que teve nesta segunda-feira seu pior dia desde os atentados de setembro de 2001.

A desvalorização de 7,59 por cento evaporou a maior parte dos ganhos acumulados pelo o Ibovespa nas últimas três sessões, voltando aos 48.416 pontos.

Calibrado pelo exercício dos contratos de opções, o giro financeiro alcançou os 6,57 bilhões de reais, o maior do mês.

Declarações de autoridades monetárias dos Estados Unidos repetidas à exaustão nesta segunda-feira foram insuficientes para restaurar a confiança dos investidores, depois de um final de semana pontuado pelo pedido de proteção contra falência do Lehman, a compra do Merrill Lynch pelo Bank of America e o pedido de socorro da seguradora AIG.

A leitura de que os desdobramentos da crise vão contaminar a já combalida economia internacional patrocinou uma tempestade de ordens de venda nos mercados acionários e nos de commodities no mundo inteiro. O barril de petróleo despencou ao patamar dos 94 dólares, o menor nível desde março.

Na Bolsa de Nova York, o índice S&P 500 também teve seu pior dia em sete anos, ao mergulhar 4,71 por cento.

Na Bovespa, os ativos de maior liquidez foram os mais castigados. Também acusando a queda do petróleo, Petrobras despencou 9,7 por cento, a 29,80 reais.

Ainda pior, Vale foi esfolada em 9,9 por cento, para 33,62 reais. Dentro do índice, só ficou atrás da própria BM&F Bovespa, que caiu impressionantes 13,9 por cento, a 8,40 reais.

A rapidez e intensidade dos acontecimentos foi de tal ordem que impressionou até profissionais experientes do mercado. "Tenho mais de três décadas no mercado de capitais. Nunca vi algo assim", disse Edison Roberto Marcellino, diretor de renda variável da corretora Finabank.

VENDIDOS LEVAM A MELHOR

O exercício dos contratos de opções sobre ações movimentou 1,167 bilhão nesta segunda-feira. Desse total, 837,3 milhões de reais foram de opções de venda. A opção que dava direito de vender a ação preferencial de Petrobras a 55,00 apareceu em primeira, com giro de 200,6 milhões de reais.

O resultado configura a vitória dos vendidos, jargão do mercado que qualifica os investidores que apostam na desvalorização dos papéis.

DIAS MELHORES VIRÃO?

Reafirmando o que já adiantara na semana passada, o Citi liberou um relatório nesta segunda-feira apontando o Brasil como seu mercado preferido na América Latina. Mesmo reduzindo a previsão de Ibovespa para o final do ano, de 66 mil para 62 mil pontos, o banco considerou que a forte desvalorização do mercado doméstico nos últimos meses abriu um ponto de compra atrativo.

Edição de Alexandre Caverni

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