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Lula ameaça cancelar medidas do BC se bancos não emprestarem

BRASÍLIA, 15 de outubro (Reuters) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ameaçou nesta quarta-feira cancelar as medidas do Banco Central de redução do compulsório se os bancos não elevarem seus níveis de empréstimos.

“O Banco Central vai ter que tomar tudo. Toma o dinheiro de volta. Pega o compulsório outra vez, até porque o Banco Central só vai liberar o dinheiro na medida em que houver a concessão do empréstimo. É para isso que nós estamos liberando”, afirmou o presidente durante entrevista a jornalistas em Nova Delhi, reproduzida pela assessoria de imprensa do Planalto.

As reduções dos recolhimentos compulsórios de depósitos bancários promovidas pelo BC nas últimas semanas têm objetivo de aumentar a liquidez da economia, impactada pela crise financeira global. A medida beneficia principalmente instituições financeiras de pequeno e médio portes.

A liberação pode, potencialmente, injetar cerca de 160 bilhões de reais na economia.

PADRÃO FALIDO

Lula aproveitou o encontro com Índia e África do Sul para sugerir um padrão de comércio entre nações emergentes que não seja subordinado ao dólar.

“O que não dá é para ficar subordinado ao padrão de gente que está falindo, é preciso mudar”, disse Lula.

“É preciso começar a fazer essa discussão para saber em quantos países a gente pode fazer isso, quais são os outros mecanismos que nós poderíamos fazer para mudar um pouco a lógica comercial do mundo”, acrescentou.

Brasil e Argentina iniciaram neste mês rodas de comércio bilateral sem o uso de dólares. As trocas são feitas pelo Sistema de Pagamentos em Moeda Local (SML).

Ao lado do primeiro-ministro da Índia, Manmohan Sing, o presidente conclamou autoridades da área econômica dos dois países e da África do Sul para analisar a proposta.

“Nós temos que começar a reunir urgentemente os ministros da Fazenda dos três países, mais os presidentes do Banco Central, mais os ministros da Indústria e Comércio para que a gente possa discutir, inclusive, novas formas de negociação, novas formas de comércio.”

Lula voltou a criticar o sistema financeiro e defendeu que ele passe a se basear na economia real.

“O que não dá é para ficar na especulação de papéis. Papel passa em 80 mãos, não produz sequer um botão e vai enriquecendo as pessoas no meio. Um dia isso quebra”, afirmou.

O presidente conclamou uma mudança nas instituições multilaterais e cobrou ação para a mudança das regras que regem o sistema financeiro.

“Os Bancos Centrais, reunidos em Basiléia, vão ter que tomar decisões e todos terão que cumprir. Acho que o FMI tem que mudar de comportamento. Aquilo que ele se prestou a fazer na década de 90, agora percebe-se que não vale muita coisa”, disse Lula, pregando uma revisão dos modelos fracassados e um debate sobre o que será feito para substituí-los.

Texto de Natuza Nery, Edição de Mair Pena Neto

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