23 de Outubro de 2007 / às 03:29 / em 10 anos

Carvão se destaca em leilão de energia e reduz preços

Por Roberto Samora

SÃO PAULO (Reuters) - O quinto leilão de energia nova (A-5), destinado ao suprimento no Brasil a partir de 1o de janeiro de 2012, negociou nesta terça-feira um total de 398 milhões de megawatts/hora, ou 2.312 megawatts médios, volume equivalente a 110 por cento da demanda prevista pelas distribuidoras para 2012.

A operação foi considerada bem-sucedida pelo governo, devido à elevada competição dos investidores, o que permitiu a venda de energia térmica, especialmente a carvão, a preços mais baixos do que o esperado, disseram autoridades.

Foram negociados 209,9 milhões de megawatts/hora de energia térmica (ou 1.597 megawatts médios) e 188 milhões de megawatts/hora (ou 715 megawatts médios) de energia hídrica. A contratação superou a demanda, de 2.110 megawatts médios, porque a oferta de uma usina nova vendedora não pode ser dividida, de acordo com as regras do leilão.

O preço médio da energia térmica no leilão, realizado em lances decrescentes, ficou em 128,37 reais por MWh, com deságio de 8,9 por cento em relação ao valor inicial, de 141 reais.

Já o preço médio da energia hídrica ficou acima do valor teto devido à inclusão da taxa UBP (Uso do Bem Público), uma vez que algumas hidrelétricas sofreram impacto da tarifa em seu preço de venda.

O valor inicial da energia hídrica era de 126 reais por megawatt/hora, mas no encerramento do leilão ficou em 129,14 reais.

A UBP é uma taxa paga ao Tesouro, criada no modelo anterior do setor elétrico, e deixará de ser cobrada no futuro. Segundo a EPE (Empresa de Pesquisa Energética), excluída a taxa, o valor seria de 124 reais por MWh para a energia hídrica.

Os projetos novos, como as hidrelétricas do rio Madeira, já não pagarão a UBP.

Além disso, o leilão desta terça-feira encerrou uma fase de transição do setor, pois a energia de todas as chamadas “usinas botox” que teria de ser vendida agora já foi comercializada.

DESTAQUE PARA CARVÃO

No leilão realizado pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) participaram 18 empreendimentos com capacidade de gerar 8,28 mil megawatts, sendo cinco hidrelétricos e 13 térmicas.

Todos empreendimentos hídricos venderam energia, com a Hidrelétrica Foz do Chapecó, no rio Uruguai, entre Rio Grande do Sul e Santa Catarina, comercializando 259 megawatts médios, seguida por Estreito, no rio Tocantins, entre Maranhão e Tocantins, que vendeu 256 megawatts médios.

As hidrelétricas de Serra do Facão (GO), Funil (MG) e São Domingo (MS) comercializaram, respectivamente, 121, 43 e 36 megawatts médios.

Entre os empreendimentos térmicos, o destaque ficou para as usinas a carvão, com MPX, no Rio de Janeiro, e Termomaranhão, no Maranhão, vendendo 615 e 315 megawatts médios, pela ordem.

Outras duas usinas a óleo também negociaram energia, Suape II, em Pernambuco, e Maracanaú II, em Ceará. Apenas uma térmica a gás, das seis participantes do leilão, negociou (351 megawatts médios), a de Santa Cruz, no Rio de Janeiro.

“Tem 930 megawatts médios de carvão que estão entrando a partir de 2012, então foi bastante satisfatório o resultado, porque leilão A-5 é tipicamente para contratar hídricas e térmicas de custo variável mais baixo, para operar na base”, disse o ministro das Minas e Energia, Nelson Hubner, após o leilão a jornalistas.

Segundo o presidente da EPE, Maurício Tomasquim, embora apenas uma usina a gás tenha vendido no leilão, a intensa participação de térmicas, incluindo as que teriam como matéria-prima o GNL (Gás Natural Liquefeito), ajudou a reduzir o preço médio final.

“Foi essa oferta que permitiu a compra de (energia de usinas a) carvão baratíssimo. Esse leilão foi um sucesso além das expectativas, contratou além da demanda, e a competição causou uma redução bastante significativa de preço para o consumidor”, disse Tomasquim.

De acordo com o governo, a baixa participação de térmicas a gás está relacionada às incertezas relacionadas ao combustível, principalmente à oferta de GNL, que deve complementar a oferta no país.

“Em 2009, já vai ser acertada a contratação pela Petrobras do GNL, e já vai ter mais segurança para preços, vai ter um conhecimento maior, foi bom não ter vendido agora”, disse o ministro, observando que usinas a gás têm tempo de maturação menor e podem entrar, para 2012, em um leilão feito em 2009.

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