16 de Setembro de 2008 / às 19:39 / 9 anos atrás

Dólar acompanha vaivém externo e fecha em alta de 0,44%

Por Silvio Cascione

SÃO PAULO (Reuters) - A volatilidade internacional dominou o mercado de câmbio nesta terça-feira. Depois de avançar mais de 2 por cento no momento mais turbulento do dia, o dólar fechou em alta de 0,44 por cento, a 1,820 real.

Em um cenário de nervosismo generalizado por conta do setor financeiro norte-americano, analistas ponderaram que o mercado deixou em segundo plano os fundamentos brasileiros e passou a reagir principalmente às notícias de Wall Street.

"Esse é um dos momentos em que os fundamentos têm um papel menor na avaliação de preços dos ativos", comentaram economistas do banco francês BNP Paribas em relatório.

Em setembro, o dólar já subiu 11,52 por cento.

Apesar da alta, o dia terminou com sensação de alívio por informações de que o Federal Reserve estaria preparando um pacote de socorro para a seguradora AIG, o mais recente alvo da crise de crédito.

As bolsas de valores, que desabaram no começo do dia, subiam no final da tarde em Nova York e em São Paulo. O Fed não quis comentar as especulações.

O volume do mercado, de acordo com dados no site da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), ficou abaixo da média pelo segundo dia seguido, com pouco mais de 1 bilhão de dólares registrados a poucos minutos do fechamento.

PRUDÊNCIA

Essa cautela foi a forma encontrada pelos agentes para reagir ao vaivém no exterior. "O impacto nos negócios é a falta de liquidez", disse Roberto Padovani, economista sênior para a América Latina do banco WestLB Brasil.

Analistas têm citado também a saída de recursos do país, por causa da aversão a risco e da cobertura de prejuízos no exterior, e um aumento das apostas no mercado futuro de câmbio a favor da valorização do dólar diante do real.

"Os fatores que impulsionaram a taxa acima de 1,82 real (desde segunda-feira)... repercutiram movimentos no ambiente da BM&F, e não no mercado de câmbio", defendeu Sidnei Nehme, diretor-executivo da NGO Corretora, em relatório.

Outro motivo que inibiu os negócios nesta terça-feira foi a expectativa pela reunião do Federal Reserve. O banco central norte-americano anunciou perto do fechamento do mercado de câmbio a manutenção do juro básico dos Estados Unidos em 2,0 por cento ao ano, contrariando as projeções de muitos em Wall Street de um corte.

Cristiano Souza, economista do Banco Real, viu com bons olhos a decisão. "Não é isso (uma redução) que vai salvar o sistema financeiro. Mesmo que o juro caísse, o que o mercado esperava, isso daria uma melhora de cinco minutos".

"O que falta lá é confiança", acrescentou. "Isso se resolve, no fundo, com reconhecimento de perdas... infelizmente, talvez, com mais gente quebrando. O mercado tem que resolver suas pendências com ele mesmo."

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