23 de Outubro de 2007 / às 03:39 / em 10 anos

ANÁLISE-Repasse do petróleo ainda não é problema para PETROBRAS

Por Denise Luna

RIO DE JANEIRO, 17 de outubro (Reuters) - A ingerência política e o desempenho operacional abaixo do esperado recentemente atrapalham mais as ações da Petrobras (PETR4.SA) na bolsa do que a falta de repasse do aumento de preços internacionais do petróleo ao mercado brasileiro, avaliaram analistas nesta quarta-feira.

Segundo eles, a companhia poderia ter mantido o status de estrela do mercado apesar do congelamento de preços ao consumidor da gasolina, diesel e GLP (gás de cozinha), não fossem as mudanças de cunho político na diretoria e um desempenho operacional insatisfatório no primeiro semestre deste ano.

No final de setembro, a ex-presidente da BR Distribuidora Maria das Graças Foster deixou o cargo para o ex-senador do PT Eduardo Dutra, e ganhou em troca a diretoria de Gás e Energia, no lugar do também petista Ildo Sauer. Outras possíveis mudanças frequentemente ocupam as páginas dos jornais, para aflição dos investidores.

A revisão para cima do plano de investimentos da estatal para mais de 112 bilhões de dólares até 2012 também não agradou, segundo os analistas, que vêem pouco retorno para o investidor.

“O que atrapalha a Petrobras na bolsa é a ingerência política, a revisão do plano que não agradou e os números do segundo trimestre, não o preço do petróleo”, afirmou Gilberto Pereira de Souza, do Banco Espírito Santo.

Segundo cálculos do analista, a defasagem entre a disparada do preço do petróleo no mercado internacional e o praticado no Brasil é baixa, o que respalda as declarações do presidente da empresa, José Sérgio Gabrielli, na terça-feira, de que o câmbio compensa a falta de ajuste da gasolina, diesel e GLP, este último com preço congelado desde a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em janeiro de 2003.

Comparando o preço em reais de um barril de petróleo da época do último reajuste da gasolina e do diesel no mercado interno, em setembro de 2005, com o momento atual, a defasagem de aumentos no país não chega a 10 reais por barril, segundo cálculos de Souza.

Em setembro de 2005, o preço médio do barril de petróleo era de 63 dólares e o dólar valia 2,29 reais. Atualmente, o preço gira em torno dos 89 dólares e o câmbio está perto de 1,80 real.

“Tem momentos que o preço está acima e outros abaixo, é uma conta de dia a dia, mas em parte o câmbio compensa sim”, afirmou Souza, lembrando que as contas para gasolina e diesel são diferentes.

Essa diferença favoreceu a Petrobras até agora, avaliou o analista do UBS Pactual Gustavo Gattass. Segundo ele, com os valores de terça-feira, o preço da gasolina no Brasil estava apenas quatro por cento abaixo do preço praticado no mercado internacional, “o que daria aumento de 1,5 por cento na bomba, se fosse repassado”, e o diesel estava 2 por cento mais caro no mercado interno do que fora do país.

“Se agora que o preço do petróleo explodiu eles estão quase equiparados, imagina como estavam ganhando antes”, ressaltou.

Segundo cálculos do especialista Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura (CBIE), em setembro a diferença de preços também ficou em parte favorável à Petrobras.

“Os preços do diesel estiveram em média 5 por cento abaixo do mercado internacional, enquanto os valores da gasolina foram iguais”, de acordo com estudo do CBIE.

Pires ressaltou que a manutenção dos preços no mercado interno são compensados, além do câmbio, pelo aumento de produção da companhia. Na bolsa, no entanto, o preço da empresa fica abaixo das expectativas.

“A Petrobras tem rentabilidade abaixo de Ibovespa, o que não é normal, porque deveria ser acima do Ibovespa por ser a maior empresa de petróleo da América Latina e o petróleo está mais de 80 dólares”, avaliou.

Nesta quarta-feira o petróleo bateu novo recorde ao atingir 89 dólares.

Pires lembrou que empresas como a Companhia Vale do Rio Doce (VALE5.SA), cujo principal produto (minério de ferro) aumentou 191 por cento desde 2002, contra 215 por cento do preço do petróleo no período, tem melhor desempenho do que a Petrobras.

Este ano, as ações da estatal subiram cerca de 40 por cento até o pregão de terça-feira, patamar semelhante ao Ibovespa, enquanto as ações da Vale dobraram de valor no mesmo período.

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