October 23, 2007 / 3:40 AM / 11 years ago

MOSTRA-Filme desconstrói mito de Ian Curtis, voz do Joy Division

Por Fernanda Ezabella

Cena do filme 'Control', sobre a curta trajetória do líder da banda Joy Division, Ian Curtis. O filme será exibido na sexta-feira na 31a Mostra Internacional de São Paulo. Photo by Reuters (Handout)

SÃO PAULO (Reuters) - Com diálogos mínimos e trilha sonora no máximo, o filme em preto e branco “Control” narra a curta vida de Ian Curtis, enquanto ele se equilibrava entre a banda britânica Joy Division, sua mulher Debbie e sua amante Annick.

“Control”, que será exibido na sexta-feira na 31a Mostra Internacional de São Paulo, tem direção do fotógrafo holandês Anton Corbijn, especializado em música e responsável pelas fotos mais famosas do Joy Division, também em preto e branco.

Esta é sua estréia em longa de ficção, embora já tenha rodado videoclipes do Depeche Mode, Johnny Cash, U2 e Nirvana.

O Joy Division foi formado em Manchester, no final dos anos 1970, em meio a shows de David Bowie, Sex Pistols e Buzzcoks, referências presentes no filme. Com a morte do vocalista, aos 23 anos, a banda deu origem ao New Order.

O papel principal é do ator desconhecido Sam Riley, que é também cantor e guarda uma estranha semelhança com Curtis, inclusive quando dança no palco, em um transe mais parecido com seus ataques epiléticos.

A importância que as mulheres ganham neste filme —Debbie e Annick— pode frustrar os fãs mais interessados em histórias do grupo, conhecido por sucessos como “Love Will Tear Us Apart” e “Transmission”.

Mas a resposta para esta ótica feminina pode estar no fato de o roteiro ser baseado no livro da própria Debbie, que também assina a co-produção. Os dois se casaram muito jovens e tiveram uma filha, a qual ele ignora solenemente no filme.

E, mesmo afirmando seu amor pela jornalista amadora Annick Honoré, Curtis não consegue ficar longe de Debbie. Ao saber da amante, ela ameaça com o divórcio, mas ele pede para ela desistir.

Entre as dúvidas do coração, o sucesso estressante da banda e os constantes ataques epiléticos, Curtis se enforca na cozinha de sua casa, um dia antes do embarque do Joy Division para a primeira turnê nos Estados Unidos, em 1980.

Somando tudo isso, o péssimo marido com o abandono da banda em pleno auge, o filme desconstrói o mito Ian Curtis, um jovem um tanto depressivo e egoísta, até hoje cultuado e referência para bandas novas como Interpol, She Wants Revenge, The Killer e muitas outras.

“Control” também passa longe do estereótipo “sexo, drogas e rock and roll”. Curtis, de fato, carrega na mochila seus vidros de remédios, mas para tentar conter sua epilepsia. E a única cena de sexo se passa debaixo do cobertor e termina com Curtis chorando, talvez atravessado pela culpa da traição.

O filme foi exibido no Festival de Cinema de Cannes deste ano, em maio, um dia antes do aniversário de 27 anos da morte de Curtis. O baterista Stephen Morris contou aos jornalistas no festival como se sentiu quando soube que Curtis se enforcara:

“Acho que foi um choque, mas o que eu senti foi muita raiva —raiva por ele ter sido tão estúpido”, disse. “Quando uma pessoa comete suicídio, deixa um monte de perguntas sem resposta para as pessoas que sobram— e as fere muito mais.”

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