18 de Setembro de 2008 / às 02:13 / em 9 anos

Lula cogita usar petróleo do pré-sal para capitalizar Petrobras

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reforçou na quarta-feira a possibilidade de reforçar a participação do governo no capital da Petrobras com ativos do pré-sal.

Em entrevista à TV Brasil, Lula enfatizou a importância da Petrobras e afirmou que o governo vai aumentar o capital da empresa.

“Uma das hipóteses é você utilizar uma parte do petróleo (do pré-sal) para aumentar o capital da União na Petrobras”, disse Lula.

Lula defendeu a mudança do marco regulatório do petróleo após a descoberta da camada pré-sal pela falta de risco na exploração. Ele salientou que todos os países do mundo que encontraram petróleo fizeram mudanças nas leis e que as empresas se adaptaram.

“Agora você sabe que tem petróleo e nós precisamos ser mais donos desse petróleo, afinal de contas 50 por cento do que foi achado até agora é da União. Nós temos que saber o que fazer com ele”, disse Lula.

O presidente lembrou sua conversa com o primeiro-ministro da Noruega, Jens Stoltenberg, na terça-feira, que lhe disse que o importante é ter regras claras. “Lá na Noruega nós cobramos 78 por cento de imposto e todo mundo paga, ninguém reclama”, teria dito o premiê a Lula.

Após o encontro com Stoltenberg, Lula descartou a utilização do modelo norueguês de gestão do petróleo, mas na entrevista admitiu sua utilização para cuidar do pré-sal.

“Nós não queremos criar uma outra Petrobras. Na verdade, é outra coisa, parecida com o que acontece na Noruega. É um fundo, uma pequena empresa... que é o Estado cuidando do petróleo”, afirmou.

Lula ressaltou que o modelo não está definido e que a única coisa certa é que o petróleo é da União. Ele aguarda a proposta da comissão interministerial que trata do assunto para abrir o debate com a sociedade.

ELEIÇÃO 2010: DILMA OU CIRO?

Apesar de dizer que não deseja antecipar o debate eleitoral de 2010, o presidente afirmou que seu “sonho” é construir uma candidatura de presidente e vice da base aliada que apóia o seu governo.

Questionado se confiava na ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, Lula respondeu que ela é “um dos quadros com maior capacidade gerencial como poucos neste país”.

Sobre o deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE), outro aliado cotado para disputar o Palácio do Planalto, o presidente reconheceu ter “profundo respeito” por ele, mas acrescentou que neste momento não está discutindo “nem Dilma nem Ciro”.

Ele afirmou ainda que pelo fato de Ciro Gomes ter disputado duas vezes as eleições nacionais, ele é naturalmente um candidato mais conhecido do que quem nunca concorreu.

Lula defendeu a união civil entre pessoas de mesmo sexo e colocou-se frontalmente contra o aborto. Segundo o presidente, a mulher que aborta “aborta porque é constrangida por alguma circunstância”.

O presidente rejeitou categoricamente a possibilidade de disputar um terceiro mandato.

“Eu já tive o meu tempo... Que venha outro e que faça mais”, disse ele.

Lula afirmou ainda que registrará em cartório, ao final deste mandato, tudo o que realizou em seus oito anos de administração, para que seu sucessor realize mais do que ele.

Texto de Mair Pena Neto e Natuza Nery, Edição de Fabio Murakawa

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