July 17, 2008 / 11:05 AM / in 10 years

Cacciola chega ao Brasil e nega que tenha fugido

Por Rodrigo Viga Gaier

Salvatore Cacciola, o mais procurado criminoso do colarinho branco no Brasil, fala durante coletiva na sede da Polícia Federal no Rio de Janeiro. Ele acaba de ser extraditado de Mônaco. Foto de 17 de julho de 2008. Photo by Bruno Domingos

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Depois de 10 meses preso no principado de Mônaco, o ex-banqueiro Salvatore Cacciola desembarcou na madrugada desta quinta-feira no Rio e negou que tenha fugido do país, onde foi condenado a mais de 10 anos de prisão por crimes financeiros.

“Nunca fui um foragido. Fui para a Itália com passaporte. Saí do Brasil com passaporte e livre”, afirmou o ex-banqueiro ao chegar à sede da superintendência da Polícia Federal, para onde foi levado depois de desembarcar, por volta das 4h30, no aeroporto internacional do Rio.

Um carro da PF aguardava o ex-banqueiro na pista do aeroporto, evitando assim que Cacciola fosse abordado pelos jornalistas que faziam plantão no saguão do aeroporto.

Segundo a estudante Heloisa Helena de Almeida, que estava no mesmo vôo, o ex-banqueiro aparentava tranquilidade.

“Ele não estava algemado, estava acompanhado de alguns agentes e muito tranquilo, com cara de férias”, disse.

Cacciola veio da Europa acompanhado por oito agentes da PF e pelo procurador da República Arthur Gueiros, informou o advogado do ex-banqueiro, Carlos Eli Eluf.

O advogado disse que espera conseguir um habeas corpus para seu cliente dentro de 15 dias.

“A prisão preventiva de 81 dias já expirou e há outras pessoas no caso que estão em liberdade”, disse Eluf. “Ele não fugiu. Ele tinha um habeas corpus que o permitia sair do país pela fronteira”, acrescentou.

“RISCO SISTÊMICO”

Cacciola foi condenado a 13 anos de prisão pela Justiça brasileira por crimes financeiros. Ele deixou o país em 2000, logo após conseguir um habeas corpus no Supremo Tribunal Federal (STF), concedido pelo então presidente da corte, ministro Marco Aurélio Mello.

Depois que o habeas corpus foi revogado, Cacciola, que já estava na Itália, “decidiu” não voltar ao país, como afirmou nesta quinta-feira.

O ex-banqueiro foi preso em Mônaco em setembro do ano passado.

O escândalo envolvendo Cacciola ocorreu em 1999, durante o processo de desvalorização do real, quando o Banco Central socorreu os bancos Marka e FonteCidam, com 1,6 bilhão de reais.

O BC justificou na época a ajuda às duas instituições como uma medida para evitar um possível risco sistêmico para o mercado financeiro do país.

O ex-banqueiro disse estar tranquilo e insistiu que confia na Justiça brasileira. “Estou voltando preso, mas é bom lembrar que outras pessoas que foram condenadas comigo neste processo estão trabalhando e livres, ganhando o seu dinheiro”, afirmou.

“Não estava fazendo nada diferente do que eles estão fazendo aqui. Respondo todos os processos e estou sempre à disposição da Justiça. A diferença é que eu estava na Itália”, acrescentou.

Cacciola irá para o presídio de Ary Franco, na zona norte do Rio, onde passará por uma triagem e segue depois para o presídio de Bangu 8, segundo informou seu advogado.

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