17 de Outubro de 2008 / às 19:15 / 9 anos atrás

Pré-sal se estende até o Ceará, diz geólogo

Por Denise Luna

RIO DE JANEIRO, 17 de outubro (Reuters) - A área do pré-sal se estende muito além dos 800 quilômetros estimados pela Petrobras, mas sem a participação da iniciativa privada na sua exploração o Brasil não conseguirá transformar em riqueza o combustível preservado no fundo do mar, alertou o geólogo e ex-funcionário da estatal Marcio Rocha Mello.

Segundo Mello, presidente da empresa de soluções tecnológicas HRT, a área do pré-sal se estenderia de Santa Catarina até o Ceará, onde ele como funcionário da Petrobras (PETR4.SA) participou de uma perfuração em 1980.

"Furamos no Ceará e achamos sal e depois óleo. O que o governo fala está errado. A área do pré-sal é 10 vezes maior", afirmou a uma platéia predominantemente de advogados em evento sobre a nova área de exploração de petróleo promovido pela empresa de advocacia Veirano.

Ele afirmou que as reservas dessa grande faixa de reservatórios gigantes de petróleo poderiam conter mais de 100 bilhões de barris. Diante da magnitude da exploração, somente com a participação de capital privado poderia se agilizar a produção.

"As multinacionais já estão no pré-sal, não tem porque não abrir (licitações), tem que chamar o mundo inteiro para cá antes que a África o faça", disse, referindo-se às licitações que estariam para ocorrer no continente que também possui petróleo no pré-sal.

Segundo Mello, nas licitações na Áfirca os bônus atingem normalmente 1 bilhão de dólares.

Para o geólogo, o governo brasileiro poderia vender as áreas para exploração com bônus de assinatura em torno de 1 bilhão de dólares e taxas de mais de 80 por cento sobre a produção e ainda assim teria interessados.

"Se eu fosse o Lula pegava esse dinheiro do bônus e colocava na educação, ou vai ficar tudo (óleo) lá embaixo e ninguém vai aproveitar", sugeriu.

CUSTO NADA SALGADO

O preço do petróleo, em franca queda em meio à pior crise financeira em 80 anos, não seria obstáculo para a atratividade do pré-sal. Segundo Mello, mesmo que o preço da commodity retorne aos níveis de 30 dólares que tinha há quatro anos, "quando todas as petrolíferas também ganhavam muito dinheiro", a empreitada ainda é viável.

"Temos que levar em conta que os equipamentos vão cair de preço se houver recessão. O mercado se ajusta", afirmou.

Segundo estimativas do governo brasileiro, o custo de extração do pré-sal ficaria em torno de 40/50 dólares, o que é rebatido por Mello que prevê custo também em torno dos 30 dólares.

Ele estimou no entanto que no final do ano o petróleo estará na faixa entre 90 e 100 dólares novamente.

Mesmo assim, o Brasil vai precisar de vários bilhões de dólares para transformar o pré-sal em realidade econômica, já que uma das características da região é demandar um maior número de poços em relação à camada pós-sal.

"O número de poços no pré-sal é pelo menos cinco vezes do pós-sal, vai ter que furar uns 10 mil poços para tirar 2 milhões de barris (dia)", calculou.

Mello afirmou que apesar de se estender até o Ceará, a maior concentração de petróleo e gás natural é mesmo na bacia de Santos, onde está localizado o campo de Tupi com reservas de 5 a 8 bilhões de barris.

Também na bacia de Campos, Mello aposta em reservas de 3 a 4 bilhões na camada pré-sal e em menor escala outras bacias também podem produzir no pré-sal, como Jequetinhonha, onde ele estima reservas de 1 bilhão de barris e na qual a Petrobras está perfurando no momento.

"Em 2008 e 2009 vamos ter muitas notícias agradáveis", avaliou.

Na esteira desse entusiasmo, e apesar da crise financeira, Mello prevê boa procura para a 10a rodada de licitações prevista para dezembro e só com blocos em terra, apesar de admitir que muitas empresas ainda estão indecisas.

"Se não tivesse uma crise financeira a 10a rodada ia arrebentar, porque são blocos em terra com grande potencial para as pequenas empresas", ressaltou, observando que a Petrobras, apesar de gigante, deve participar das disputas pelo menos na bacia do Recôncavo, onde já tem exploração.

Edição de Denise Luna

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