18 de Março de 2008 / às 13:14 / em 10 anos

China e Dalai Lama trocam farpas por distúrbios no Tibet

Por Chris Buckley

<p>O l&iacute;der espiritual tibetano Dalai Lama fala &agrave; imprensa de sua resid&ecirc;ncia em Dharamsala. A China acusou na ter&ccedil;a-feira o Dalai Lama de orquestrar os dist&uacute;rbios no Tibet para prejudicar a Olimp&iacute;ada deste ano em Pequim, mas o l&iacute;der budista no ex&iacute;lio rejeitou a acusa&ccedil;&atilde;o e disse que pode renunciar caso a viol&ecirc;ncia saia de controle. Photo by Arko Datta</p>

PEQUIM (Reuters) - A China acusou na terça-feira o Dalai Lama de orquestrar os distúrbios no Tibet para prejudicar a Olimpíada deste ano em Pequim, mas o líder budista no exílio rejeitou a acusação e disse que pode renunciar caso a violência saia de controle.

O governo tibetano no exílio disse em sua sede, na cidade indiana de Dharamsala, que pelo menos 99 pessoas já morreram desde a semana passada nos confrontos com as autoridades chinesas, sendo 19 só na terça-feira.

O primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, tentou justificar a repressão aos manifestantes em Lhasa, a capital tibetana, e em províncias chinesas vizinhas, para onde as manifestações dos tibetanos se espalharam desde o fim de semana.

“Há amplos fatos e abundância de evidências provando que este incidente foi organizado, premeditado, planejado e incitado pela camarilha do Dalai”, disse Wen em entrevista coletiva em Pequim.

“Isso revelou ainda mais que as consistentes afirmações por parte da camarilha do Dalai de que eles buscam não a independência, mas o diálogo pacífico, são nada além de mentiras”, acrescentou.

Mais tarde, um porta-voz da chancelaria chegou a dizer que o Dalai Lama, que fugiu do Tibet em 1959, depois de uma rebelião contra o domínio chinês, deveria ser levado a julgamento.

Em entrevista coletiva em Dharamsala, o Dalai Lama, que já ganhou o Nobel da Paz, disse que “se as coisas saírem de controle minha única opção é renunciar completamente”.

Tenzin Taklha, porta-voz do líder espiritual, disse que os distúrbios começaram com um ou dois incidentes. “Graças à tecnologia, graças ao boca-a-boca, a notícia rapidamente se espalhou. Isso foi muito espontâneo”, afirmou.

O Dalai Lama repete há anos que não busca a independência do Tibet, e sim uma maior autonomia para a região dentro do âmbito da China, que enviou tropas à região em 1950.

Depois de vários dias de protestos envolvendo monges budistas contra o domínio chinês --as maiores manifestações em quase duas décadas no Tibet--, houve violência na sexta-feira, apesar do empenho do regime comunista em não revelar fissuras internas durante o ano da Olimpíada.

Um grupo de exilados tibetanos disse na terça-feira que 30 manifestantes foram presos depois de realizarem um protesto perto de Lhasa.

Cerca de 12 monges do monastério budista Dinka, no Condado de Duilong Deqing (ou Toelung Dechen, em tibetano), perto de Lhasa, realizaram o protesto na noite de segunda-feira, e receberam o apoio de moradores leigos, segundo o site do Centro Tibetano para os Direitos Humanos e a Democracia, que citou “numerosas fontes e testemunhas”.

A Reuters não conseguiu confirmar imediatamente o relato. A imprensa estrangeira é proibida de viajar ao Tibet sem uma permissão especial.

Reportagem adicional de Benjamin Kang Lim e Guo Shipeng em Pequim e Jonathan Allen em Dharamsala

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