23 de Outubro de 2007 / às 03:53 / 10 anos atrás

Explosões no Paquistão matam 123 na volta de Bhutto

Por Asim Tanveer

KARACHI (Reuters) - Um suposto homem-bomba matou 123 pessoas na sexta-feira (horário local) num ataque contra um veículo no qual a ex-primeira-ministra paquistanesa Benazir Bhutto atravessava Karachi, ao retornar de um exílio de oito anos.

Autoridades disseram que Bhutto está em segurança, em sua casa, depois de deixar o caminhão sobre o qual percorria ruas lotadas de centenas de milhares de partidários.

“A senhora Bhutto está segura e foi levada para sua residência”, disse Azhar Farooqui, uma importante autoridade policial em Karachi.

Até o momento, nenhum grupo reivindicou o ataque. Militantes ligados à Al Qaeda, irados com o apoio expressado por Bhutto à guerra dos Estados Unidos contra o terrorismo, haviam feito ameaças a ela esta semana.

O médico da polícia Ejaz Ahmed disse à Reuters que 84 mortos foram levados a três hospitais da cidade. Um médico de outro hospital disse que sua unidade tem 39 corpos. Uma autoridade policial disse 260 pessoas ficaram feridas.

“As explosões atingiram dois carros da polícia que escoltavam o caminhão que levava a senhora Bhutto. O alvo era o caminhão”, disse essa autoridade à Reuters.

Funcionários dos serviços de resgate arrastaram cadáveres dos destroços retorcidos de veículos em chamas, enquanto as chamas iluminavam o céu noturno, após duas explosões na cidade mais violenta do Paquistão.

Rehman Malik, assessor de Bhutto que estava ao lado dela sobre o caminhão, disse que as explosões aconteceram no momento em que a ex-premiê descansava dentro do veículo.

Em comunicado divulgado pela agência de notícias estatal, o presidente Pervez Musharraf declarou que o atentado representa “uma conspiração contra a democracia”.

Em Washington, a Casa Branca condenou o ataque, que se acredita ter sido uma das explosões mais sangrentas na violenta história do Paquistão.

“Não se permitirá que extremistas impeçam os paquistaneses de escolher seus representantes através de um processo aberto e democrático”, disse Gordon Johndroe, porta-voz do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca.

RELATOS DE INTELIGÊNCIA

Relatos dos serviços de inteligência sugeriram que pelo menos três grupos jihadistas vinculados à Al Qaeda e ao Taliban estariam tramando ataques suicidas, segundo uma autoridade provincial.

Cerca de 20 mil funcionários de segurança tinham sido destacados para garantir a segurança de Benazir Bhutto em sua volta ao país.

“Ela tem um acordo com os EUA. Vamos lançar ataques a Benazir Bhutto, como fizemos contra o general Pervez Musharraf”, disse Haji Omar, um comandante do Taliban na região tribal de Uaziristão, na fronteira afegã, à Reuters por telefone via satélite, enquanto Bhutto viajava ao Paquistão.

Bhutto retornou de um auto-exílio para liderar seu Partido Popular do Paquistão nas eleições gerais que se pretende que conduzam o país de volta ao governo civil.

Durante anos Bhutto prometeu retornar ao Paquistão para pôr fim à ditadura militar, mas ela acabou retornando na condição de potencial aliada de Musharraf, o comandante do Exército que assumiu o poder num golpe em 1999.

Acredita-se que os EUA tenham incentivado a aliança entre Bhutto e Musharraf, sem alarde, para manter a postura pró-Ocidente do Paquistão, que possui armas nucleares, e fazer com que o país continue comprometido a combater a Al Qaeda e apoiar os esforços da Otan para estabilizar o Afeganistão.

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