18 de Abril de 2008 / às 16:04 / 9 anos atrás

Governo de SP estuda vender parte da Cesp mantendo o controle

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A secretária de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo, Dilma Pena, admitiu nesta sexta-feira a possibilite de o governo paulista leiloar apenas parte dos ativos da Companhia Energética de São Paulo e manter o controle da estatal, depois do fracasso do leilão de privatização, no mês passado.

"O governo pode vender só parte, sem vender o controle. Ainda estamos decidindo, mas o governador (José) Serra busca uma alternativa para o bem do povo de São Paulo", disse Dilma a jornalistas durante seminário do PSDB no Rio de Janeiro. Ela estimou em 40 por cento o percentual que poderá ser alienado.

O leilão teria fracassado, entre outras razões, segundo Dilma, devido ao fato de as duas principais usinas da Cesp, Jupiá e Ilha Solteira, não terem garantia do governo federal de renovação das suas concessões, que vencem em 2015.

Recentemente, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, afirmou que não pretende renovar neste mandato licenças que já foram renovadas uma vez.

A secretária estimou que os ativos da Cesp valham de 18 a 20 bilhões de reais. A Cesp tem ainda as usinas de Três Irmãos, Porto Primavera, Jaguari e Paraibuna.

ESTADO DE ATENÇÃO

Dilma informou também que o sistema elétrico da cidade de São Paulo se encontra em estado de atenção, em razão das cinco ocorrências registradas desde o início do ano e que provocaram a interrupção parcial no fornecimento de energia. Segundo ela, a fragilidade do sistema se deve a uma sobrecarga e à falta de investimentos nos últimos anos.

"O reforço de subestações e de linhas de distribuição pode ser de competência dos entes privados, mas não obrigatoriamente da CTEEP (Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista) e da Eletropaulo . A necessidade de um aumento de investimentos passa por concessão, e isso está muito devagar", criticou a secretária.

Ela informou que, entre 2001 e 2006, o consumo de energia em São Paulo aumentou 17,6 por cento. "Porém não foram feitos novos investimentos para atender a essa demanda crescente", disse.

Ela pretende reunir-se na próxima semana como o ministro Lobão para apresentar uma lista de 14 obras necessárias para fortalecer o sistema elétrico de São Paulo nas áreas de transmissão e distribuição. Em julho, seis linhas de transmissão em São Paulo devem ser licitadas pelo governo federal.

"Estamos em estado de atenção, ocorrências sempre acontecem, sempre fazem parte do sistema, o que preocupa são ocorrências sucessivas", disse Dilma, que solicitou também à CTEEP e à Eletropaulo que "redobrem" atenções em suas operações.

Para estudar soluções para o problema, foi criado, em caráter emergencial, um grupo de trabalho que reúne a agência reguladora do setor, a Aneel, o Operador Nacional do Sistema, a agência reguladora de São Paulo, além da CTEEP e da Eletropaulo.

Reportagem de Rodrigo Viga Gaier; texto de Denise Luna

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