23 de Outubro de 2007 / às 03:51 / em 10 anos

PANORAMA2-Copom ofusca mercado externo e derruba dólar

Por Silvio Cascione

SÃO PAULO, 18 de outubro (Reuters) - A decisão do Banco Central de interromper a flexibilização monetária derrubou o dólar e provocou ajustes no mercado de juros futuros no Brasil nesta quinta-feira.

No final da tarde de quarta, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC decidiu por unanimidade manter a taxa Selic em 11,25 por cento ao ano, depois de 18 reduções consecutivas.

Após a decisão, o mercado de câmbio ignorou tanto a fraqueza nas bolsas quanto o leilão de compra realizado pelo próprio BC, e o dólar caiu quase 2 por cento para fechar abaixo de 1,80 real pela primeira vez desde 2000.

A relação entre juros e câmbio é direta. Quanto maior a diferença entre as taxas cobradas no Brasil e no exterior, maior o interesse do estrangeiro em aplicar no país. Por isso, “no médio e longo prazo a tendência do dólar é de queda”, disse Jorge Knauer, gerente de câmbio do Banco Prosper.

O mercado de juros futuros também se ajustou ao anúncio do BC. As projeções negociadas na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) fecharam em alta, com volume de negócios maior.

O pregão na BM&F também foi influenciado pelo indicador de vendas no varejo no país. Os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostraram vigor do comércio --alta de 0,7 por cento em agosto, oitavo mês seguido de alta.

A repercussão do Copom deixou o cenário externo em segundo plano, com efeitos mais perceptíveis sobre a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa).

Durante a maior parte do dia, as ações no Brasil e em Nova York operaram em queda, influenciadas pelo resultado trimestral ruim do Bank of America (BAC.N) --segundo maior banco dos Estados Unidos.

À tarde, no entanto, o mercado acionário encontrou suporte no setor de tecnologia. Após o fechamento do pregão, será a vez do Google (GOOG.O) e da fabricante de processadores AMD AMD.N anunciarem seus resultados trimestrais.

O petróleo voltou a bater recordes, e ficou a poucos centavos dos 90 dólares por barril nos Estados Unidos.

Veja como encerraram os principais mercados nesta quinta-feira:

CÂMBIO BRBY

O dólar terminou a 1,788 real, em baixa de 1,92 por cento. O volume do segmento interbancário foi de 2,592 bilhões de dólares.

BOLSA .BVSP

O Ibovespa subiu 0,11 por cento, a 63.261 pontos. O volume financeiro na bolsa foi de 4,9 bilhões de reais.

ADRs BRASILEIROS .BR20

O índice de principais ADRs brasileiros fechou em alta de 2,15 por cento, aos 35.883 pontos.

JUROS <0#2DIJ:>

A maioria dos contratos de depósito interfinanceiro (DI) subiu na BM&F. O DI com vencimento em janeiro de 2008 encerrou o pregão a 11,11 por cento ao ano. O DI janeiro de 2009 foi a 11,28 por cento e o DI janeiro de 2010, a 11,34 por cento ao ano.

GLOBAL 40 BRAGLB40=RR

O título de referência dos mercados emergentes, o Global 40, subiu para 134.500 por cento do valor de face no final da tarde, oferecendo rendimento de 5,51 por cento ao ano.

RISCO-PAÍS 11EMJ

No final da tarde, o risco Brasil caía 2 pontos, a 168 pontos-básicos. O EMBI+ estava em 194 pontos-básicos.

BOLSAS DOS EUA

O índice Dow Jones .DJI teve variação negativa de 0,03 por cento, a 13.888 pontos. O Nasdaq .IXIC subiu 0,24 por cento, para 2.799 pontos. O índice S&P 500 .SPX exibiu queda de 0,08 por cento, aos 1.540 pontos.

TREASURIES DE 10 ANOS US10YT=RR

O preço dos títulos do Tesouro norte-americano de 10 anos, referência do mercado, avançava e o rendimento caía para 4,5 por cento no final da tarde.

Reportagem adicional de Rodolfo Barbosa e Angela Bittencourt

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