23 de Outubro de 2007 / às 04:00 / em 10 anos

ESPECIAL-Construção civil deve ter mais consolidação em 2008

Por Maurício Savarese

SÃO PAULO, 19 de outubro (Reuters) - Setor altamente fragmentado, a construção civil deve passar por mais consolidação em 2008, avaliam executivos da indústria. A expectativa, porém, é que fusões e aquisições envolvendo empresas do segmento listadas na bolsa levem um pouco mais de tempo para acontecer.

Atualmente, o ramo imobiliário está representado por mais de 20 companhias na Bolsa de Valores de São Paulo, que encontraram no mercado de capitais uma forma de financiar a expansão em meio ao crescimento do setor.

Desde 2003, quando a construção civil começou a se recuperar após mais de uma década de estagnação, as empresas foram às compras de companhias rivais e complementares ao seu negócio, para, por exemplo, ampliar os segmentos de atuação para além de moradias destinadas à classe alta.

Nesta semana, a incorporadora Klabin Segall KSSA3.SA comprou por quase 100 milhões de reais a construtora Setin, com atuação no segmento econômico de habitações.

A Camargo Corrêa Desenvolvimento Imobiliário (CCDI) CCIM3.SA adquiriu no final de agosto a construtora HM com a meta de dobrar o número de lançamentos voltados a classes mais baixas em 2008, para 1,2 bilhão de reais.

“Faz sentido ter a mesma construtora (para atender a todos os segmentos), sempre para diminuir custos nos projetos de baixa renda”, afirmou à Reuters o diretor de Finanças e Relações com Investidores da CCDI, Paulo Mazzali.

O executivo espera mais anúncios de aquisições na indústria de construção civil com esse foco: o de complementação do portfólio de negócios. Apesar disso, Mazzali não antevê para breve consolidação entre as 22 empresas do setor que atualmente têm ações negociadas na bolsa.

A opinião é compartilhada pelo presidente da Gafisa (GFSA3.SA), Wilson Amaral, que aposta em “compras técnicas” no ano que vem.

CAÇA E CAÇADOR

Para Amaral, o movimento de aquisições e fusões de construtoras na bolsa deve ganhar força quando a diferença entre o preço das ações aumentar em relação aos patamares atuais.

Em 2006, a Gafisa comprou a marca Alphaville, para produtos mais elitizados, e pouco depois passou a operar as marcas econômicas FIT Residencial e a Bairro Novo, ao lado da Odebrecht.

“Criamos (o negócio no segmento econômico) a partir do zero porque não tinha no mercado nenhum ativo que valesse a pena para uma fusão”, afirmou o presidente da Gafisa.

Já outro executivo de uma grande empresa do setor avalia que companhias que lançaram ações na Bovespa recentemente podem vir a ser alvo de aquisição ainda em 2008, embora considere essa chance maior para anos seguintes.

Sob condição de anonimato, ele mencionou Agra AGIN3.SA, Even EVEN3.SA, MRV MRV3.SA, Tenda TEND3.SA e Tecnisa TCSA3.SA como possíveis alvos de compra no futuro.

O diretor de Relações com Investidores da Tecnisa, Leonardo Paranaguá, também prevê consolidação no setor em 2008.

“Tudo é possível, mas eu ainda não vejo a Tecnisa no grupo de empresas que serão consolidadas. A gente quer participar do jogo, olhar para todas as oportunidades, mas não sei se é o caso de ser engolido. O desejo é de ser comprador”, afirmou ele, ponderando que “a empresa tem que se fortalecer para entrar no jogo” com as três maiores --Rossi RSID3.SA, Gafisa e Cyrela CYRE3.SA.

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