18 de Fevereiro de 2008 / às 13:45 / em 10 anos

Vale consegue aumento de até 71% para o minério em 2008

Por Denise Luna

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A Vale anunciou nesta segunda-feira que após meses de negociações fechou acordos com siderúgicas asiáticas para aumentos de 65 e de 71 por cento nos valores do minério de ferro que exporta.

Os aumentos ficaram acima do que era esperado pelo mercado, de algo entre 30 e 50 por cento, elevando os papéis da empresa na Bolsa de Valores de São Paulo. Analistas disseram que o fato eleva o poder da empresa na negociação para a compra da mineradora anglo-suíça Xstrata.

De acordo com a Vale, o minério do Sistema Sul e Sudeste (Minas Gerais), a maior parte dos volumes exportados, terá um reajuste de 65 por cento, enquanto o produto proveniente de Carajás, no Pará, recebeu um prêmio de preço e subirá 71 por cento.

O minério de ferro corresponde a cerca de 40 por cento da receita global da Vale. O ajuste de pelotas, um minério enobrecido, responsável por 9 por cento da receita da Vale, ainda não foi fechado.

Essa é a primeira vez que a mineradora brasileira consegue preços diferenciados para o ajuste do minério e reflete a melhor qualidade do produto retirado do Pará.

O complexo de Carajás produz cerca de 93 milhões de toneladas de minério por ano e está em processo de expansão. O Sistema Sul e Sudeste produz 203 milhões de toneladas.

“O anúncio de um reajuste desta magnitude é altamente positivo para a Vale, principalmente diante da grande incerteza sobre o cenário econômico nos EUA e seu impacto no mundo”, afirmou Rodrigo Ferraz, analista da Brascan Corretora.

Perto do fechamento, as ações da Vale subiam 5,4 por cento na Bovespa, enquanto o índice geral da bolsa subia 2,3 por cento.

Os primeiros contratos foram assinados com as asiáticas Nippon Steel, do Japão, e Posco, da Coréia do Sul, contrariando a expectativa inicial do mercado de que as siderúrgicas chinesas lideradas pela Baosteel seriam as primeiras a fechar o novo preço.

Também já acertaram com a mineradora brasileira as japonesas JFE Steel Corporation, Sumitomo, Nisshin e Kobe Steel. A China, principal cliente da Vale e responsável por 18 por cento da sua receita, ainda não fechou.

Pela tradição do setor, o primeiro acordo fechado entre uma mineradora e uma siderúrgica é seguido pelos demais agentes do mercado. Este ano, no entanto, segundo fontes de mercado, BHP e Rio Tinto, concorrentes da empresa brasileira, estariam pleiteando um aumento maior. [ID:nN1830015].

“Os preços para 2008 refletem a continuidade do excesso de demanda no mercado global de minério de ferro”, afirmou a Vale em um comunicado.

Para a analista Luciana Leocadio, da corretora Ativa, o novo preço deve ser tomado como base nas negociações das mineradoras australianas, mas é possível que elas também obtenham preço diferenciado.

“O reajuste firmado com a Nippon Steel e Posco deverá balizar o processo de negociação daqui para frente, mas poderemos ter algumas diferenças em relação às mineradoras australianas, que buscarão obter um prêmio de frete que reflita a maior proximidade que possui das siderúrgicas asiáticas”, avaliou.

Os novos preços de referência, em tonelada métrica seca (dmt), são 1,1898 dólar por unidade de ferro para o Sistema Sul e 1,2517 dólar por unidade de ferro para o minério de Carajás.

MAIS FORÇA PARA NEGOCIAR XSTRATA

Para o analista do ABN Amro Pedro Galdi, o valor obtido pela Vale junto às siderúrgicas foi “excelente”, e a tendência é de que os outros clientes, inclusive a China, sigam o ajuste.

Para ele, o aumento dá ainda mais força para Vale fazer nova oferta pela mineradora anglo-suíça Xstrata.

“Isso ajuda e muito, mas vamos ver qual a decisão dela, se vai aumentar a oferta”, disse Galdi à Reuters.

Uma fonte próxima às negociações entretanto informou à Reuters que mesmo com o ajuste do minério acima do esperado pelo mercado a companhia não fará uma nova oferta.

“As ações da Xstrata estão artificialmente infladas, não acompanharam a queda do setor por causa da especulação de que seria vendida, ninguém quis vender os papéis”, explicou a fonte.

“A posição dos negociadores hoje é de que o negócio dificilmente sai, mas ainda estão negociando”, completou.

Galdi afirmou que o receio de perder a posição de grau de investimento poderá fazer com que a Vale evite fazer uma oferta excessivamente alta pela Xstrata.

O analista Eduardo Roche, da Modal, tem opinião similar.

“Fortalece ela (Vale) para manter o seu ‘investment grade’ e até tentar no financiamento (do negócio) ter uma taxa de juro mais razoavel, é um reforço de caixa importante”, afirmou.

Ele acrescentou, no entanto, não acreditar que isso signifique que a Vale fará uma oferta acima do que considera justo.

A Vale admitiu há algumas semanas que estaria interessada em adquirir a Xstrata, produtora de cobre, níquel, carvão, entre outros.

Segundo fontes do mercado, a primeira oferta da Vale teria sido de 76 bilhões de dólares, ou 40 libras por ação, enquanto os acionistas da Xstrata teriam pedido 48 libras por ação.

Edição de Marcelo Teixeira

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