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Grupo chinês faz alerta sobre importação crescente de minério

XANGAI (Reuters) - As siderúrgicas chinesas sofrerão fortes perdas financeiras a menos que reduzam as importações de minério de ferro no mercado à vista, afirmou a Associação de Ferro e Aço da China nesta quarta-feira.

O alerta surge próximo ao prazo final, no fim do mês, para a conclusão das negociações de preços de minério de ferro com mineradoras australianas. A preocupação de Pequim é que as importações crescentes tenham dado vantagem às produtoras de minério.

As importações da commodity pela China subiram 20 por cento nos primeiros cinco meses de 2008 e mineradoras australianas estão indicando que a forte demanda apoiará suas tentativas de obter preços maiores antes que os contratos de 2008 expirem.

“Esperamos que os membros atentem para a situação e controlem as quantidades e ritmo das importações de minério de ferro de acordo com a demanda atual de produção das usinas”, disse a associação.

Um representante da entidade informou que os estoques de minério nos já congestionados portos chineses aumentarão ainda mais se o ritmo de compras se manter. E esses estoques podem custar caro às siderúrgicas do país ao vincularem capital e risco de perdas elevadas se os preços caírem.

“É óbvio. Em primeiro lugar, enormes importações utilizarão mais capital da companhia e elevarão os custos operacionais das usinas”, disse Qi Xiangdong, vice-secretário geral da associação.

“Em segundo lugar, as usinas deveriam julgar a situação de oferta e demanda com cuidado. Se os preços caírem nos próximos meses, os estoques vão desvalorizar e causar perdas.”

A associação informou que vê crescimento limitado de preço para o minério de ferro que chega à China em termos de custo, seguro e frete (CIF, na sigla em inglês), acrescentando que os preços elevados não representam o verdadeiro quadro de oferta e demanda do maior país produtor de aço do mundo.

“A associação provavelmente está preocupada que os operadores estejam indo ao mercado à vista comprando grandes volumes, o que está elevando os preços à vista e, portanto, fortalecendo a posição das mineradoras”, afirmou John Kemp, economista do RBS Sempra, em Londres.

“Está um pouco atrasado agora o alerta, mas isso é uma tentativa de desencorajar importações especulativas que possam artificialmente inflar os preços à vista. Pode dar um alívio de curto prazo, mas não mudará muito a dinâmica das negociações dos contratos a termo.”

Em 1o de abril, a Vale anunciou acordo de preços de minério de ferro com as siderúrgicas chinesas. O reajuste combinado com a mineradora brasileira foi de cerca de 70 por cento, mas as mineradoras australianas querem mais por causa da vantagem de frete que o minério despachado da Austrália tem em relação ao enviado do Brasil.

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