23 de Outubro de 2007 / às 04:00 / em 10 anos

Brasil só compra caças com transferência de tecnologia--Jobim

Por Rodrigo Viga Gaier

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O ministro da Defesa, Nelson Jobim, afirmou nesta sexta-feira que o Brasil só vai comprar caças de outros países para a Aeronáutica se houver transferência de tecnologia.

Em 2004, o Brasil cancelou uma licitação para a compra de 12 novos aviões militares, que atraiu interesse de fabricantes dos Estados Unidos, França, Suécia e Rússia. Com o crescimento econômico, o país retomou o projeto de modernizar sua força aérea.

“A negociação só será feita na hipótese de alguma transferência de tecnologia. Não é possível fazer qualquer tipo de aquisição internacional se não tiver esse acerto”, disse Jobim a jornalistas, em visita à Universidade das Forças Armadas, na vila militar de Deodoro.

O ministro reconheceu que a transferência de tecnologia é um assunto “difícil e delicado”, mas que o Brasil não abrirá mão dessa condicionante.

“Estamos negociando com outros países. O Mangabeira Unger (ministro extraordinário de Assuntos Estratégicos) já está circulando o mundo para saber quais países estão dispostos a transferir tecnologia. E isso no mundo é muito restrito”, frisou.

Em recente viagem à África, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou o atual estágio da frota da Força Aérea Brasileira, chegando a afirmar que enquanto ela não for renovada “continuaremos ouvindo as notícias que um avião caiu aqui, outro ali”.

“Ela (a frota) está velha, temos que enfrentar o assunto. Devemos terminar um projeto até a metade do ano que vem, exatamente para implementar medidas. Temos que recuperar tudo isso”, disse o ministro.

“Me lembro quando o presidente Lula decidiu comprar o avião de transporte presidencial e ficou aquela crítica horrorosa. As coisas mudaram de figura. Não há nenhum receio do presidente de enfrentar essa situação. Vamos recuperar a FAB, o Exército e seus instrumentos”, completou.

Jobim acrescentou que o orçamento do ministério da Defesa em 2008 foi ampliado de 6 bilhões de reais para 9 bilhões de reais, podendo chegar a 10 bilhões de reais.

Para a Marinha, disse o ministro, o principal projeto é a construção de um submarino de propulsão nuclear para patrulhar a costa do país.

“Grande parte da riqueza do Brasil hoje está no mar, são os poços da Petrobras. Temos que ter algo que diga que se alguém vier vai se incomodar.”

NOVA MALHA AÉREA

Jobim afirmou que a nova malha aérea do país já está pronta e os últimos retoques estão sendo feitas pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), pelo Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea) e pelas companhia aéreas.

Segundo o ministro, em 10 dias estará tudo definido. Ele reiterou que a nova malha prevê um menor fluxo de aviões no aeroporto de Congonhas, o mais movimentado do país.

“Nós não cederemos. Congonhas não é um hub. Voltará a ser o que sempre foi, destinado basicamente à ponte-aérea Rio-São Paulo e vai receber interconexões. Não será um ponto de conexão e escala”, assegurou.

Jobim afirmou que o governo estuda a possibilidade de elevar a tarifa aeroportuária dos aeroportos de São Paulo, e a redução a zero da tarifa no Rio de Janeiro para estimular a transferência de vôos para o Galeão.

“O que temos que pensar são formas de deslocar vôos iunternacionais para o Rio. Não há hipótese de obrigar a empresa a vir para cá. Temos que induzir essa demanda via mudança de taxas aeroportuárias”, dise Jobim, explicando que o aumento da tarifa de estacionamento de aviões em São Paulo pode ser “expressiva”.

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