19 de Maio de 2008 / às 17:47 / 9 anos atrás

ANÁLISE-Preços do aço: até onde eles podem subir?

Por Steve James

NOVA YORK, 19 de maio (Reuters) - Os preços do aço podem subir ainda mais, após avançarem praticamente 50 por cento neste ano, diante do custo crescente das matérias-primas num cenário com poucos sinais de desaquecimento na demanda.

As siderúrgicas vêm elevando os preços do aço em parte para aproveitar o mercado mais forte, após anos de declínio na indústria, mas também para compensar os custos elevados do minério de ferro, da sucata e do carvão, matérias-primas essenciais para a fabricação do aço.

Outras têm exigido regularmente um acréscimo às exportações para cobrir custos adicionais com a fabricação do metal, que possui forte demanda na China, Índia e outros países cujas economias apresentam crescimento.

“Não chegamos ao pico”, disse Michelle Applebaum, analista independente da indústria de aço em Chicago, na sexta-feira. “Os preços das matérias-primas continuarão subindo, assim como os do aço.”

Michael Locker, que dirige a Locker Associates, consultoria para siderúrgicas em Nova York, afirmou que a ascensão dos preços do aço não deve recuar muito no curto prazo.

“Os preços devem atingir o pico em breve, e então recuar um pouco. Atualmente estamos entre 1.100 e 1.150 dólares (por tonelada), para o aço laminado a quente e deve cair para 800 ou 900 dólares. Mas eu não vejo os preços voltando para os 400 dólares que tivemos no ano passado”, avaliou.

Os preços já incomodam os consumidores de aço, mas em geral não há alternativa. A Toyota Motor Corp (7203.T) recentemente concordou em pagar à Nippon Steel Corp (5401.T) e outras siderurgias japonesas 30 por cento a mais pela chapa de aço.

Com aumentos de 65 e 71 por cento no valor do minério de ferro, estabelecidos após acordos com a Vale (VALE5.SA), e a possibilidade de um incremento de 85 por cento sobre os preços do minério de ferro australiano neste ano, as siderurgias encontram-se sem saída.

Mesmo as que utilizam sucata em vez do minério também estão pagando preços recorde pelo material. De acordo com relatórios de mercado, a sucata de fábricas de automóveis é vendida atualmente de 690 a 710 dólares a tonelada, valor 70 vezes superior ao registrado em março.

PARA O ALTO E AVANTE

Segundo o boletim da indústria, World Steel Dynamics, o preço de chapas de aço laminado a quente nos EUA avançou 5,2 por cento, para 1.154 dólares a tonelada, nas duas últimas semanas, enquanto o preço mundial de exportação ganhou 2,9 por cento, para 1.024 dólares por tonelada e o preço na Europa Ocidental subiu 2,1 por cento, para 1.088 dólares a tonelada.

A ArcelorMittal ISPA.AS MT.N, maior siderúrgica do mundo, elevou recentemente os preços na Europa em aproximadamente 20 por cento.

A AK Steel Holding Corp (AKS.N), que divulgou um preço médio de venda de 1.135 dólares a tonelada para o primeiro trimestre, aumentou os preços no mercado disponível no mês passado para os derivados de aço carbono em 150 dólares por tonelada.

O acréscimo foi uma resposta para o crescimento na demanda, assim como à “necessidade de nos recuperarmos de um aumento sem precedentes nas matérias-primas da siderurgia”. A AK também alertou os consumidores sobre uma taxa adicional de 640 dólares a tonelada nas faturas de aço para fins elétricos com exportação prevista para junho.

O presidente-executivo da U.S. Steel Corp (X.N), John Surma, disse a analistas de Wall Street em abril que os preços do aço laminado plano no segundo trimestre poderiam subir 300 dólares por tonelada --praticamente 50 por cento acima da média do primeiro trimestre, de 646 dólares.

Surma não excluiu a possibilidade de utilizar taxas adicionais para cobrir os custos com matéria-prima.

Apesar da maior parte dos analistas pesquisados pela Reuters esperar a elevação nos preços no momento, Peter Marcus, do World Steel Dynamics, avalia que o mercado já atingiu o pico.

Ele disse que os preços podem cair devido à impossibilidade de alguns consumidores em arcar com os custos do aço.

Marcus citou também um número maior de bancos recusando-se a financiar estoques caros de aço e a diminuição na demanda nos países ocidentais, já que “os gastos de consumidores com bens que possuem grande volume de aço é pressionado pelos gastos crescentes com alimentos, combustível e outros produtos essenciais.”

Locker avaliou que os preços do aço tornaram as siderúrgicas norte-americanas mais competitivas do ponto de vista do custo de produção, enquanto as importações de aço mais barato --considerado um grande inimigo pelas indústrias do setor nos EUA-- não faziam mais parte da equação desde que os preços subiram mundialmente.

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